quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Plus ça change!

Depois de uns tempos de ausencia, aproveitados das mais diversas maneiras eis que regresso a este blog, alegremente dissertando de forma subversiva sobre vários temas, desde a nossa situação política, ao mundo, passando pelos temas sobre o ambiente. Espero contar sempre com os vossos comentários, pois é deles que se alimenta também o interesse de um blog.
Fiquem com este pequeno artigo que foi publicado no Registo.
Abraços

Com a tomada de posse do novo Governo tudo mudou, os titulares das pastas que criaram maior controvérsia, os mais desgastados e as orgânicas que formatavam a cadeia de governo dentro das várias tutelas. Mas tudo mudou? Na realidade não, pois apesar de terem mudado as caras, as palavras do Primeiro-ministro revelam que este pretende seguir um rumo muito idêntico, senão mesmo igual, ao que vinha da legislatura anterior, mitigando apenas a imagem profundamente negativa que possuía.
Mas não são apenas as palavras do chefe do governo que demonstram essa vontade. As formas de pressão que vários responsáveis parlamentares ou «fazedores de opinião», do partido suporte do governo ou da sua área, foram fazendo nos seus discursos, de forma mais ou menos velada, ameaçando as várias oposições dos terríveis castigos que sobre eles cairiam caso pusessem em causa a denominada estabilidade governativa, seguem a mesma táctica.
Confundindo, uns e outros, vantagem eleitoral com mandato claro para prosseguir as políticas anteriormente delineadas, vêm tentando transformar uma maior minoria, numa maioria de apoio ao estado de governação, ainda que alicerçada em pressupostos chantagistas e de ética no mínimo duvidosa.
O voto dos Portugueses pode ter sido uma miríade de coisas, mas aquilo que não foi certamente foi “um voto de confiança numa governação reformista e numa estratégia de modernização do País”, pelo menos no sentido que lhe atribui o Primeiro-ministro. Na verdade o que os resultados eleitorais implicam é que a maioria dos Portugueses e mesmo a maioria dos deputados, o que não é em bom rigor a mesma coisa, não se identifica com as políticas que primeiro, pelo número lhes puderem impor e que hoje procuram impor-lhes pelo temor, pelo que natural será que em um dado momento exista um encontro de vontades, que de qualquer forma será sempre esporádico, que ponha termo ao XVIII Governo constitucional.
Na verdade a tentativa de adestrar as oposições nem sequer advém de qualquer comportamento pseudo-responsável de estabilidade, uma vez que pela lógica utilizada as oposições seriam penalizadas nas eleições subsequentes, o que favorecia o Governo e os resultados do partido que o apoia. É pois, por demais evidente que o que temem é que essa conjugação possa dar-se no momento em que os resultados das políticas sociais, com o crescimento do desemprego e a falência do sistema económico, conduzam a mudanças reais.
“Um novo Governo é sempre um novo começo”, mas é um mau começo quando tudo se muda para que tudo permaneça.

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá, sejas bem vindo, já não era sem tempo, Longa ausencia, tão longa que o registo acabou com a censura e passou à fase de já não te publicar ?

Pelo teu regresso esta maravilha de uma angolana ALDA LARA :

Nos olhos dos fuzilados,
dos sete corpos tombados
de borco, no chão, impuro,
eis!
...sete mães soluçando...

Nas faces dos fuzilados,
nas sete faces torcidas
do espanto ainda e receio,
...sete noivas implorando...

E do ventre de além-mundo,
sete crianças gritando
na boca dos fuzilados...
sete crianças gritando
ecos de dor e renúncia
pela vida que não veio...

Na boca dos fuzilados
vermelha de baba e sangue
...sete crianças gritando!...

Abração de Leão.

Carlos Moura disse...

Olá o Registo felizmente tem publicado, mas resolvi compartilhar aqui o que vou escrevendo.
O poema é impressionante, fa-me lembrar o título de uma parte dos Vivos e os Mortos do Konstantin Simonov - Ningém Nasce Soldado -
Abraço Grande