quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Que o chão se mova, não podemos evitar...

Foto: Expressodsilhas.sapo.cv

Os movimentos de placas na crusta terrestre quando lentos, sinal que estamos perante placas de dureza diferente, normalmente resultam em movimentos suaves, muitas das vezes quase imperceptíveis pelo ser humano. Porém quando são movimentos bruscos com quebra das placas de dureza semelhante, originando enrugamentos, são origem de chamados tremores de terra (ou sismos), libertando enormes quantidades de energia, que percebemos como movimentos ondulatórios simples - ondas P e ondas S - ou de interacção como as ondas L.
Estas situações são condicionantes de quem vive sobre o planeta e até hoje não foi encontrada forma eficiente de as prever e nenhuma de as evitar.
Poderia com isto parecer que o número de vítimas hoje na Itália, como no passado no Haiti, na Indonésia entre outros, são inevitabilidades e forças de um destino implacável. Não são!
Nos locais mais atreitos a estas situações impunha-se que os municípios imposessem normas de construção e reabilitação muito severas e que a fiscalização da utilização dos materiais fosse muito estrita. Contrariando aqueles que vivem dizendo que os regulamentos são uma restrição à liberdade, é necessário que se diga que estes só limitam a liberdade dos lucros impedindo todos os desmandos do capital, para o qual a vida humana não vale mais que qualquer ganho adicional nas suas contas bancárias.
Foi o laxismo promovido muitas das vezes pelos executivos abertamente de direita, ou social-democratas, a este respeito durante anos que permitiu à alguns anos atrás o desastre de Áquila, do qual poucas ou nenhumas ilações parecem ter tirado as elites dirigentes italianas mais interessadas em agradar aos negócios do que em tomar a defesa da vida e dos interesses das populações. Espantoso é que estas populações, vítimas directas destes procedimentos, rapidamente se esqueçam dos causadores do seu infortúnio e se deixem envolver na ladaínha da inevitabilidade dos desastres naturais . 
Com efeito o chão se mova, não podemos evitar! Mas que fiquemos debaixo dos escombros, isso sim podemos evitar.
Já agora, por mera curiosidade maliciosa, como seria se tivesse sido cá pelas nossas bandas?

sábado, 20 de agosto de 2016

Foram-se os bandos de chacais


Chegou-me hoje ao conhecimento uma notícia deveras interessante. É ao mesmo tempo uma tragédia é um exemplo acabado do que são os meios de comunicação nesta coisa que alguém por maldade, interesse ou mera estupidez, chamou um dia de "Mundo Livre".
A informação de que o Tribunal De Haia considerou na sua sentença sobre os crimes de Guerra na antiga Jugoslávia Slobodan Milosevic inocente, não será divulgada em nenhuma parangona, não terá nenhuma chamada de primeira página, e será com muita sorte que sairá sequer uma breve sobre o tema.
Diga-se de passagem o Tribunal Penal Internacional não fez rigorosamente nada pela divulgação da sentença. Sentença essa que não só não era a esperada como não era a desejada pelos poderes que dirigem a mão deste "tribunal", mais conhecido pelas suas orientações ideológicas do que pelo seu rigor legal e justiça.
Todas as calúnias e vilipêndios que sobre o dirigente Jugoslávo e Sérvio volsaram os meios de comunicação, pelo meio do seu emaranhado rigor jornalístico e isenção, contrariamente à sentença permanecem, sendo citados de tempos a tempos.
Com efeito mais uma vez nos vêm à memória as palavras de António Vieira: "Não vale a verdade a um inocente o que vale a mentira a mil culpados", e não conhecia ele os meios de difusão da actualidade... Que diria ele se os conhecesse?
Mentiras como estas conhecemos de sobra, sabemos como são elaboradas, muitas das vezes onde é até por quem. Mas até agora ninguém foi ainda responsabilizado alguma vez por elas. Não o foram em relação ao Chade, à Líbia, às armas de destruição maciça no Iraque, como continuam sendo em relação à Síria - onde agora vêm farisaicamente falar das prisões e dos mortos, quando há muito mais tempo se passam crimes de igual ou maior dimensão nas prisões marroquinas, dentro e fora do Sahara Ocidental ocupado, em relação à Crimeia, aos Resistentes do Dombass, etc.
Para procurar dar credibilidade à mentira, que em relação à Sérvia levou aos bombardeamentos e à invenção de um novo país, que nunca o foi e cuja identidade provinha de uma maioria imigrante - o Kosovo - cá se presta ao trabalho o TPI que, neste caso, por muito que procurasse nada encontrou que transformasse Milosevic no ditador sanguinário que pintaram, mas pelo contrário num homem preocupado e defensor dos direitos das minorias.
Qual o próximo passo? Se o tribunal não mata bem, a lei matemos também? 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Portugal Olimpico


Com as olimpíadas quase no fim, a contabilização do nosso medalheiro é, no mínimo, modestíssimo. Fora a medalha de Bronze da Telma Monteiro nada mais se perspectiva.
A culpa não é dos atletas que, com grande dedicação e sacrifício, treinam anos em condições que na maior parte das vezes depende apenas do seu empenho, sem ou com poucos apoios, poucas oportunidades de competir mais vezes fora, sem ter condições de levarem os seus treinadores consigo, sem facilidades nos seus empregos ou estudos. Os resultados que vão obtendo escondem na maior parte das vezes as limitações a que estão sujeitos, mas nas olimpíadas em que a pressão psicológica é enorme ficam bem evidentes as limitações em termos de apoios até nesta área.
O Secretário de Estado da tutela disse que temos os apoios que podemos para um país pequeno e com poucos recursos. Que não podemos comparar-nós com grandes potências desportivas , nem com outros países vizinhos. Tem razão! Não podemos, nem devemos comparar-nós com países em que a riqueza e recursos podem garantir mais condições e portanto devemos olhar para a nossa ordem de grandeza. Poderemos comparar-nos à Grécia? mas essa conta já com dois títulos, com o Kosvo? conta já com um, com Cuba? já vai com dois e várias outras medalhas, com o Vietname? Com as Fiji? Temos seguramente mais recursos que eles é ainda assim todos eles, não falando de muitos outros têm delegações mais pequenas e, aparentemente mais produtivas. Donde a desculpa também não reside aí. 
Se o motivo não reside na falta de qualidade, de vontade e esforço, nos recursos existentes, reside em quê? Quanto a mim, leigo na matéria, reside na falta de planeamento a longo prazo, reside na falta de prática desportiva escolar a sério, reside no definhar das colectividade que colmatavam a grande falha do desporto nacional, reside na falta de equipamentos na quantidade suficiente para dar resposta às necessidades, na falta de aposta na formação de valores que tornem a competição interna mais equilibrada, na falta de apoios para a internacionalização dos valores que existem.
Enquanto o desporto não for pensado de baixo para cima, ou seja da quantidade de praticantes surgem os que têm capacidade e/ou a conseguem desenvolver, e for pensado na base do talento excepcional que aparece isolado, bem podemos esperar, fazê-los esfalfar-se, exigir-lhes resultados, fazê-los sentirem-se culpados, frustrados, e desmotivados perante as expectativas criadas e os sacrifícios que fizeram, que não vai resultar.
É que não é uma questão atlética, é uma opção política para uma política desportiva.
Quanto aos nossos atletas saúdo-os a todos e cada um pelo seu esforço, dedicação, sacrifício, e pelo seu desejo de representarem condignamente o país e o povo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Guanta aldrabice...


Aquando da sua primeira eleição para o cargo de Presidente dos EUA, aquela em que parecia a segunda vinda do messias - com o devido respeito pelos crentes - o então nóvel residente do número 1 da Avenida de Pennsilvanya prometeu encerrar durante o seu mandato a prisão ilegal de Guantanamo. Prisão de resto num pedaço da Ilha de Cuba onde o inquilino americano se mantém, pese embora o senhorio há muito tenha denunciado o arrendamento - Sim o Governo dos EUA insiste em emitir um cheque anual de USD 2.000,00 por arrendamento da Base, ainda que este arrendamento tenha sido feito em 1903, com o presidente Tomás Estrada Palma.
A verdade é que o tempo passou, foi-se o primeiro mandato, veio o segundo, e a prisão lá foi ficando - cada vez mais arredada das TV's - e por lá foram ficando as criaturas anos a fio sem julgamento, mas aí não há direitos humanos que valham e até a Amnistia Internacional o melhor que consegue dizer é que enfraquece a postura dos EUA na matéria, deixando mãos livres a outros governos em matéria de direitos humanos. Seria rizivel não fosse trágico para as vidas de pessoas, culpadas ou não mas que têm direito de se defender, e que estão algumas há mais de 14 anos presas sem que alguma sentença existisse sobre elas.
Aqui continuam não existindo direitos constitucionais, até porque os EStados Unidos argumentam com um impressionante sofisma que a prisão não é em solo americano e os presos não são americanos, o que é no mínimo curioso quando se arrogam o direito de ir prender cidadãos estrangeiros em solo estrangeiro para os julgar em solo americano à luz de leis americanas.
Enfim... Mas nada disso interessa porque o máximo que se pode dizer é que enfraquece a posição norte-americana. 
Não obstante o segundo mandato assim como veio está a ir e 61 desafortunadas criaturas por lá permanecem, desconhecendo o dia de amanhã, depois de terem sido presas ilegalmente, transportadas ilegalmente para Guantanamo, sendo muitas vezes o seu paradeiro desconhecido de familiares e amigos, sujeitos a humilhações, maus tratos e torturas, sem direito a advogado ou defesa e encarcerados por tempo indeterminado que pode, eventualmente, chegar à morte.
Enfim ao fim de oito anos: Fechar... Direitos Humanos... Constituição... GUANTAldrabice!!! E quem sabe com o futuro empossado GUANTO tempo mais? 

sábado, 13 de agosto de 2016

O Homem Novo


Normalmente homenagear personalidades em vida é um pouco complicado. Primeiramente porque tem ainda tempo de opinarem e actuarem, para o bem ou para o mal, donde não se consegue fazer com uma clareza meridiana o balanço do seu legado. Depois porque a percepção que se causa ao fazer o panegírico ou a crítica é que se está fazendo o culto ou a detracção da pessoa em causa. Muitas vezes não é nenhuma das duas mas o que fica é a amarga sensação que cada um pode usar a análise para realçar ou atenuar facetas ao seu bel-prazer, enviesando para onde lhe dá mais jeito.
Após esta declaração é justo que se saúde Fidel Castro Ruz pelo seu nonagésimo aniversário. Grande parte da sua vida confunde-se com a História da ilha de Cuba e da sua Revolução.
Apenas gente muito alheia às realidade, enleada em interesses egotistas ou gente muito inconsciente ou mal intencionada, pode afirmar que Cuba pré-revolução era um lugar melhor para se viver. Que o diga aos camponeses do Interior, que  viviam nas mais miseráveis condições de sobre-exploração, sem acesso à educação, aos cuidados de saúde, a coisas tão simples como a existência de um sanitário. Mas também às populações urbanas das classes trabalhadoras que se amontoavam em bairros degradados também sem acesso aos mais básicos bens, espante-se até água potável. Digam-no aos que morriam tuberculosos, ás parturientes que perdiam os seus filhos por falta de assistência, e muitas outras situações em que a mercantilização do próprio ser humano era a única forma de fugir à necessidade.
Podem dizer que hoje ainda existem. Sim existem, mas uma sociedade mais justa não se constrói com facilidade assediada por um bloqueio, especialmente num país de recursos limitados.
E para aqueles que falam em encarceramentos e falta de liberdade, lhes diria que ou escondem ou ignoram tudo o que foi a ditadura de Batista e, aconselha-los-ia a perderem um pouco do seu tempo a informar-se e a entender porque é impensável ao povo cubano retroceder é impensável deixar ao livre curso quem defende esse regresso.
Fidel não é um homem perfeito, não os há, não é o homem novo, pese embora o esforço que desenvolveu para ao longo da vida se ir paulatinamente aproximando de o ser, fazendo a Revolução dentro de si à medida que a Revolução se ia fazendo no dia a dia  de Cuba. É por isso mais admirável.
Contrariamente ao Che ele ficou com a missão mais espinhosa, deter o poder. Espinhosa não porque com isso enfrentasse a morte todos os dias, como o Che, mas enfrentava o próprio deslumbre que o poder exerce sobre o homem é que poucos têm a força interior para não lhe sucumbir. Enfrentar ad dúvidas ideológicas que assaltam aqueles que têm o poder de decisão, enfrentar as deficiências de formação ou visão muitas vezes daqueles que estão próximos, ter de enfrentar ao mesmo tempo mudanças bruscas e retrocessos complicados de um mundo que a um dado momento parecia encaminhar-se mais rapidamente para o socialismo e afinal o caminho mostrou-se mais lento, levando ao fim da solidariedade e complicando também a situação de boicote que já dificultava tanto o normal funcionamento da ilha.
É sem dúvida uma viagem com muitos escolhos, erros vários, defeitos de análise e desvios, mas também uma viagem que com muitos acertos, análises acuradas e análises lúcidas, permitiu a Cuba manter uma via de desenvolvimento diferente da via da especulação e exploração, garantir ao povo cubano níveis de instrução, saúde e desenvolvimento humano incomparavelmente melhores que a totalidade da América latina e de muitos países ditos industrializados.
É uma obra que só um rumo de desenvolvimento numa via socialista poderia alcançar é só um homem profundamente empenhado na aprendizagem a cada momento do que é uma via socialista, capaz de fazer a sua aito-avaliação e auto-critica, em suma capaz de querer tornar-se de facto no Homem novo poderia ter conseguido.
É Fidel Castro o Homem novo? Não é. Mas é o exemplo mais conseguido de um homem que lutou uma vida inteira pelo seu povo, pelo socialismo e fazendo dentro de si próprio a Revolução para melhor prosseguir a luta. Não será ainda o homem novo, mas é sem duvida imprescindível para lá chegarmos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A Química da Guerra


Detesto ter que voltar a Alepo tão depressa. Acontece que a aleivosia do que é apresentado como notícia a isso obriga.
Os jihadistas nas suas várias facetas e apesar do respaldo dado pelos meios de comunicação ocidentais, não conseguiram nada, nem do anunciado nem do por anunciar - aliás isso mesmo já ficou patente nos jornais e televisões - agora pede-se ao Governo Sírio uma trégua de 24 a 48 para ajudar as populações, curiosamente ninguém o pediu quando eram os civis nas zonas governamentais a sofrer um cerco aqui à uns dois anos, e se os então chamados "rebeldes" ofereciam três horas já era demais. Pois agora parece que as horas encolheram e três já nem chegam para nada. Seguramente para rearmar e municiar estas forças é que seguramente não chegam.
Por outro lado reapareceram as acusações de utilização de armas químicas, atribuindo-se as culpas a... Claro as forças do Governo Sírio. Mas não deixa de ser curioso.... O Governo Sírio procedeu à colocação dos seus arsenais químicos sob o controlo das  Nações Unidas para destruição e desmontagem dos seus laboratórios. Isto foi feito sobre a égide da ONU e com verificação de peritos internacionais, peritos esses que declararam no final que a Síria tinha deixado de possuir armas químicas ou potencial para a sua produção. Isto não foi uma opinião foi  uma declaração oficial da ONU. Como é que agora, pela mão de elementos ligados no terreno aos "rebeldes" e do Observatório Sírio dos Direitos Humanos - um grupo ligado a estes interesses sedeado em Londres e que em toda esta história nem sequer pretendeu esconder a sua parcialidade - se dá crédito a este tipo de acusações, sabendo-se, o que é ainda mais grave, que os únicos laboratórios não inspeccionados e destruídos foram os UE estavam em poder destes "rebeldes"?
Já antes, em relação ao Iraque de Sadam Hussein assistimos ao espalhar de mentiras e acusações sobre armas de destruição maciça que nunca existiram. Donde a receita para obter reacções  pode ser da química da guerra, mas era já tempo de estar sem força, e totalmente desacreditada. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Em que ficamos?


Os recentissimos incêndios na Madeira deixaram muitíssimas questões por responder. A começar fica a questão da gestão da mancha florestal, com uma presença marcante de Eucalipto e Acácia, espécies "muito pouco, ou quase nada" dadas à propagação dos fogos florestais. A segunda questão prende-se com a limpeza das ervas que, em condições de muito calor, baixa humidade e ventos fortes são propícios à propagação das chamas. Terceira questão, o despovoamento dos centros históricos. Lojas e armazéns vazios, onde não existem sistemas internos de combate aos fogos, são o ideal para o avanço dos sinistros.
Para lá disto outras questões ficam: como é possível que se afirme, como fez o Presidente do Governo Regional da Madeira, que o incêndio estava controlado e a situação consolidada e, nem uma hora depois ter de pedir ajuda ao Governo da República, após afirmar ter a Região meios suficientes; como é possível não accionar os meios de emergência de forma a proceder à evacuação dos locais de trabalho, permitindo que a saída à hora normal tivesse lançado o caos no trânsito dificultando a acção do combate ao sinistro? Por fim o empréstimo pela República Italiana de um Canadair não pode deixar de causar surpresa, é surpresa não pelo empréstimo mas pelo facto de ser considerado essencial quando em 2007 se substituíram os Canadair pelos helicópteros pesados Kamov, Kamov que estão quase todos ou mesmo todos parados, e que, como até o Governo anterior percebeu não substituírem os Canadair no combate a fogos. Reconheceu mas não resolveu, depois do estudo indicar a necessidade de adquirir dois... Nenhum foi comprado.
Daqui se pergunta serviam ou não melhor que os Kamov, ou em complementaridade? Se sim porque foram vendidos pelo Estado português? Tendo ficado determinada essa necessidade porquê não foram adquiridos? Porque se esperou até ao ponto de ter de recorrer a um empréstimo de frota estrangeira? Responda quem para tal tiver competências, pois que por mim não o sei fazer. Mas responda porque todo o cidadão tem o direito de saber.