segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Os Grandes Homens não morrem



Não pensava retornar tão cedo a este tema, não pensava que um dos homens a quem tenho dedicado algumas linhas deste meu blog nos tivesse já deixado. Coube a Luís Cabral a tarefa de ser o primeiro Presidente da Guiné-Bissau independente, coube-lhe talvez assim a mais ingrata tarefa na sucessão do seu irmão Amilcar. Tarefa mais difícil pois no projecto de União do PAIGC, a Guiné por não ter quadros próprios formados em quantidade suficiente era a parte mais dependente e mais sensível pela quantidade de povos, com hitórias e linguas diversas, que aí também se cruzavam.
É certo que potêncialmente muito mais rica do que Cabo-Verde, faltava à Guiné a homogeneidade cultural e o investimento em formação que, de alguma forma tinha existido nas ilhas. Não superadas estas condições, até por motivos interinsecos ao próprio movimento, que começou a fracturar em volta destas questões logo após as independências, tornou-se primeiro extramamente difícil gerir estas contradições e por fim completamente impossível, especialmente para um homem nascido e criado em Cabo Verde.
Com o golpe militar de 80, tal como aqui já disse, foi posto termo a este projecto original e a Guiná-Bissau afundou-se em contradições etnicas que ressuriram com bastante evidência, não tendo tido tempo de formar e preparar os quadros próprios previstos e deixando de ter a colaboração dos quadros cabo-verdianos.
Apesar das muitas alterações políticas posteriores, Luís não retornou à cena política guiniense. Não que a sorte do país tivesse deixado de lhe interessar, mas porque via com muita clareza a impossíbilidade de retomar o projecto do PAIGC e não lhe interessar o poder apenas pelo poder.
É neste ponto que reside a diferença de outros governantes, a ele, assim como a Aristides Pereira, só interessava o exercício do poder em nome de um projecto de desenvolvimento e não em prol de projectos pessoais. Por isso mesmo disse há uns meses que os grandes homens nunca morrem. Por isso mesmo mais uma vez Cabral ca morrê.

2 comentários:

LEÃO disse...

E hoje mais más notícias nos chegam da Guiné. Luis já não as escuta.Durante muitos anos os efeitos do colonialismo vão existir mas irá haver um dia em que isso chegará ao fim. Neto, Amilcar, Mondlane, Samora, Luis e muitos outros serão eternamente lembrados .

O Futuro

...............
porque este ano,
com as chuvas que caíram
levando os instantes que vivemos
as mandioqueiras que plantámos
até mesmo os maiungos
virão mais cedo
para alimentar o povo inteiro
no combate

COSTA ANDRADE ( Angolano)


LEÃO

Carlos Moura disse...

O céu em S. Vicente por vezes faz-se escuro, tão escuro como se a qualquer momento o ar quente e pesado fosse ser cortado por uma chuva fresca. A qualquer momento se prepara a enxurrada que promete desabar.
Longa espera, em que esta chuva prometida caí apenas em farripos secando mal chega ao solo. Longa espera...
Mas vai chegar o dia. vai chegar o dia em que céu carregado que vem de Santo Antão, caia uma chuva grossa e brava, que se espalhe pelos campos, que encha de novo as ribeiras, que entre pela cidade, corra as ruas, corra às praças, e que por fim desague da Ponta da Praia à Matiota, que torne o ar limpo e fresco, que torne o chão fresco e leve.
que venha a chuva por fim.
Abraço