segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não nasce um novo mundo amanhã



Amanhã por esta hora já terá tomado posse o novo Presidente Norte-americano, este facto de indesmentível importância, dado o estado de desgraça da administração cessante e a grande esperança do povo norte-americano em encontrar novos rumos para a sua economia e o seu lugar no mundo, é relevante também pelo facto de pela primeira vez um homem de pele não branca ocupar a presidência do mais poderoso país do mundo.

O facto de ser Negro não pode no entanto representar mais do que um simbolo de que os EUA parecem ter superado parcialmente os estigmas que vinham da guerra cívil e que ainda há 40 anos anos estavam bem vivos na sociedade. Não quer isto dizer que devamos esperar milagres, ou seja não quer dizer que devamos esperar uma inflexão radical na política dos EUA que no plano interno, quer no plano externo.

A nova administração, sem dar muito nas vistas, já demonstrou pelas palavras do próprio Obama que a segurança de Israel é primordial na sua agenda, o que é dizer muita coisa na manutenção das ligações que estes países mantêm e que têm permitido ao Estado de Israel comportar-se na cena internacional como acima da lei.
Também em relação a Guantanamo as afirmações do tempo que demorará a encerrar este infame campo, não são de molde a deixar-nos tranquilos.

No campo interno as mensagens económicas também não são de molde a deixar eufóricos todos aqueles que pensam que outro mundo é possível. A procura de novas soluções dentro dos velhos sistemas e a intenção de resolver grande parte do problema através da poupança de recursos energéticos pode ser positiva, mas está longe de resolver problemas mais antigos e profundos, anteriores à actual crise internacional, como o direito à habitação ou à saúde de toda a população, e nestes pontos nem durante a Campanha nem hoje a Presidência Obama foi capaz de produzir algo de substancial.
No meio disto tudo, contudo, Barack Obama, já conseguiu uma importante vitória. O cessar fogo Israelita na Faixa de Gaza, na semana da sua tomada de posse permite-lhe ganhar tempo nesse área, mas permite também ao povo Palestiniano respirar um pouco de alivio antes de recomeçar a agressão de Isreal.

Gostariamos de poder influenciar a política norte-americana, mas por enquanto não temos força para isso e dúvido que por muito boas intenções que qualquer administração tivesse, esta ou outra, ela própria só muito dificilmente se conseguiria livrar da teia de interesses em que o capital há muito amarrou a política neste país. Mas pelo menos em relação ao conflito Israelo-Palestiniano podemos fazer sentir o nosso repúdio e com isso forçar os nossos governantes a, pelo menos exigirem alguma solução justa e equilibrada. Dia 24 de Janeiro (Sábado) vai haver uma manifestação às 14 e 30 no Largo de Camões, se não vais ver a tomada de posse de Obama (porque não estás lá) mas acreditas numa mudança, vem até ao Camões dia 24.

Um Mundo Novo não nascerá amanhã concerteza, mas podemos mudá-lo todos os dias, com a nossa força e a nossa luta.

1 comentário:

Anónimo disse...

Esta esperança que o povo norte-americano tem em Obama,que se desenvolva, floresça e frutifique. Poder-se-á reflectir e agir em todo o Mundo. Assim como nós conservamos a nossa esperança desde Abril de 1974 e não desistimos de conseguir os objectivos dessa Revolução. Oxalá que os explorados e oprimidos dos USA conquistem aquilo que é um direito universal negado pelos seus antecessores chefes de Estado, tanto republicanos como democratas, não só aos nacionais como aos restantes povos do Mundo.
Eles, americanos, podem não avançar, mas nós, progressistas de todo o Mundo, não descançaremos.

Saudações democráticas, revolucionárias e de combate.

J.C.