sábado, 17 de maio de 2008

"Sem Medo"

Fonte: VFlksoAJd0c

Fez ontem, dia 16 (quando este texto foi escrito), 50 anos que o General Humberto Delgado, desembarcou em Santa Apolónia, vindo do Porto, onde tivera um acolhimento apoteótico que fizera o regime fascista temer pela segurança da ordem que havia imposto uma trintena de anos antes.

A dinamica que a candidatura tinha criado, e que se reproduzia na Capital, era um sinal que por vontade própria o Povo Português teria há muito substítuido o regime de Salazar por outra forma de governo, deitando por terra a propaganda de um povo feliz liderado por um lider providencial.

A candidatura de Humberto Delgado teve a virtude de unificar, em torno do objectivo do derrube do fascismo, democratas de diversas matizes, desde velhos republicanos, até aos militantes comunistas, cimentando uma frente antifascista essencial à derrocada do regime dezasseis anos depois.

Nenhum homem faz a história, ele é um elemento desta, e se Delgado criou a dinamica, não menos importante é a mobilização da população, sem a qual, ainda que importante como factor de esclarecimento e luta, esta candidatura não teria atingido a dimensão de desafio a Salazar, desafio esse que por momentos deu mesmo a sensação de poder terminarcom a demissão deste.

No exito desta candidatura não é desprezável a participação dos comunistas, que abdicando da candidatura do Dr. Arlindo Vicente, se empenharam profundamente na mobilização, esclarecimento, divulgação e trabalho para garantir o sucesso dos objectivos antifascistas, permanecendo, no entanto, realistas quanto às reais possibilidades do derrube do regime.

A repressão que se abateu, quer durante a campanha, quer através da fraude promovida pelo governo, demonstrou cabalmente a razoabilidade da análise do Partido Comunista. Este facto não altera, contudo, o imenso valor histórico da candidatura presidêncial do General "Sem medo", ou os seus valor e coragem pessoais.

Podemos afirmar, sem grandes dúvidas, que foi naquele momento um homem que interpretou a vontade popular e que reunia as condições pessoais, objectivas e subjectivas, para lançar, ao regime salazarista, um desafio que contribuiria decisivamente para a sua derrota.

Relembrar este momento histórico é, portanto, um importante exercício de memória, essencial às gerações presentes, sobre as quais recai o dever da defesa dos valores democráticos, principalmente quando de novo caracteristicas fascizantes reaparecem nas esferas, económica, social, e mesmo na práxis política.

English sinopsys

In May 1958, the presidential campaign marked one of the gratest chalenges faced by the Portuguese fascist regime lead by Salazar.
The opposition candidate, General Humberto Delgado, arrived in Lisbon by train from Oporto were he received the wormest wellcome a candidate had ever recieved inthis city.
Fearing a similar happening in the city Capital, the fascist regime started a reppresive movement that had it's higth in the massive electoral fraud that deprived the people of it's urge to overthrow the regime.
In this process the support of the communists to this anti-fascist front was of the outmost importance, although communists realised the improbability of the colapse of Salazar's government.
Nevertheless the chalenge, and the mobilization that Delgado running for President represented was of the gratest importance for the movement that did overthrow the fascist regime at April te 25th of 1974.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sempre no mês do trigo se cantará

Fonte: affiche de la Mairie de Venissieux

Maio de 68. Escolhi este dia para falar de Paris, desse Maio não distante, em que tudo pareceu possível e tudo pareceu tão impossível como dantes. Escolhi o dia de hoje para falar dele pois, faz quarenta anos amanhã que a Greve Geral, convocada pelos sindicatos, com especial relevância para a CGT, paralisou toda a França. E escolhi este dia e não os dias dos levantamentos estudantis não por acaso.

A Revolução é um caminho que nunca é óbvio, e depende de muitos factores, uns objectivos e outros subjectivos para se desenvolver e avançar. As reivindicações dos estudantes por mais justas que fossem, e muitas delas eram justíssimas, estavam absolutamente divorciadas das reivindicações dos trabalhadores. De facto o desconhecimento de uns em relação aos outros não era só profundo, como a desconfiança que grassava entre estes meios não era possível de ser ultrapassada com comités etudiant-ouvriérs, como o desenrolar dos acontecimentos veio a provar.

Os estudantes não eram nem uma massa revolucionária (embora representassem um potencial desta ordem), nem factor de enquadramento ideológico das massas, pedras basilares de uma revolução. De facto eram camadas da pequena e média burguesia, descontentes é certo, mas sem uma visão de construção de uma sociedade diferente. Criticavam os sindicatos por se contentarem com “tirar uns dinheiros ao patrão”, mas de facto a sua perspectiva de alteração social era profundamente inconsequente.

Os seus apelos a uma mudança social esbarravam em grande medida na rejeição que faziam do Socialismo Marxista (muito embora alguns deles se afirmassem ainda mais radicais do que o Partido Comunista), caindo por vezes no apelo a um anarquismo que mais não fez do que assustar as franjas que seriam determinantes para uma efectiva alteração social.

Fonte: europe1 images mai68

A sua atitude é tipicamente pequeno-burguesa, no que tem de aparência radical e de retórica socialista. Só que ser-se por causas e rejeitar-se as consequências não é, nem nunca foi um projecto de sociedade, e não é seguramente também fruto de uma análise marxista da realidade. Mais acertadamente diria Pier Paolo Pasolini, quando afirmou que “por trás das caras dos estudantes se esconde a face dos seus pais burgueses”.

O único momento, então, em que esta revolta se pode transformar numa revolução, é o momento em que o operariado e outros sectores de actividade entram em greve e paralisam o país. Porquê? Porque só nesse momento encontramos no Maio de 68 forças com um projecto de sociedade, e não vou discutir se esse projecto estaria já suficientemente amadurecido, que garantia uma possibilidade de um avanço nas relações de classe em França e, por consequência, no resto do mundo.

Contudo ao ter sido incapaz de estabelecer com os estudantes, estudantes esses que eram sem dúvida um aliado táctico da revolução, o Partido Comunista falhou, também por culpa própria mas não principalmente, em conseguir o alargamento do potencial revolucionário e conseguir manter e alargar uma base de apoio a um processo revolucionário.

Daí que o falhanço do Maio de 68, enquanto processo revolucionário, não devesse ser um mistério. Não que isso dizer que as muitas conquistas que foram feitas, nomeadamente a nível laboral, sejam de somenos importância, ou que após o Maio de 68 tudo tivesse permanecido como dantes. Mais curioso será verificar por onde andam os grandes líderes da “esquerda moderna”.

Fonte: mai68 alter1 fo


May of 68

I choose this day to talk about Paris, about that May not far, when everything seemed possible and impossible as well. I choose today to talk about it because tomorrow makes fourty years that the General Strike, called by the unions, particularly the CGT, paralysed all France. My choice was not by chance.

The students weren’t a revolutionary mass not even an ideological framework, basic factors of a revolution, and their perspective of overcoming where astonishingly inconsequent. Their appeal to a social change shocked with their rejection of the Marxist Socialism (although most of them saw themselves as more radicals then the Communist Party), falling in an appeal to an anarchism that made no more that to frighten the fringes that could be determinant to an effective social change.

So the sole moment in which this rebellion could transform into a revolution was the one when the workers went into strike thus paralysing the country. Why? Because is the only moment throughout the May of 68 that we are able to find social forces that had a distinct project for society and therefore grant the possibility of an advance in Class relations in France, and by consequence in the rest of the world.

So the failure of May of 68 as a revolutionary process shouldn’t be a mystery. This doesn’t mean that the major conquests, mainly in labour level, are to be overlooked, or even that society remained the same after May of 68. But it would be interesting to find out were are the leaders of the “modern left”.




Fonte: vryer

terça-feira, 6 de maio de 2008

À volta de Maio


Place de Vandôme Mai 1871

Escolhi chamar a esta entrada de hoje à volta de Maio porque Maio tem sido um mês que ao longo da história vem trazendo consigo um grande vigor das lutas e reivindicações. Contudo, não é chegado o tempo de falar desse outro Maio que tem a minha idade, desse falarei mais tarde.


Barricade Rue de la Bonne

O Maio de que vos falarei hoje é o do tempo das Cerejas, o que começou em Março e durou 73 dias. 73 em que os Operários de Paris partiram à conquista do Céu. Em que pela primeira vez na história da humanidade, homens e mulheres trabalhadores, decidiram tomar em mãos os seus destinos, fazer com a que a produção se destinasse a assegurar o bem comum e não a acumulação de capital nas mãos de uns quantos.


Prison Chantiers Aout 1871

Falharam. Falharam dessa vez, como falharão muitas outras vezes, mas de todas essas vezes há ilações que ficam, caminhos que pela primeira vez foram trilhados, direitos pela primeira vez conquistados e que permanecerão doravante na memória dos povos.
Não, a Comuna não morreu, a Comuna vive de cada vez que um homem no mundo reivindica um direito, de cada vez que tem consciência da sua força, de cada vez que cada mulher se reconhece parceira igual e não inferior a ninguém.


Barricade de la Place Blanche

A Comuna de Paris é, talvez, um dos mais belos e ricos momentos históricos, porém essa riqueza é também, em grande medida a causa do seu insucesso. A falta de uma organização, de uma metodologia comum para alcançar um objectivo, mostram, como o demonstrou claramente Marx, que é necessário um enquadramento das massas para que a Revolução triunfe. O enquadramento, teórico e prático, que o Partido Comunista veio dar à revolução anos depois deixou esse ensinamento bem claro, muito embora ninguém soubesse quando iria terminar a experiência soviética. Lembremo-nos do contentamento de Lénine, no dia em que o poder Soviético tinha durado já apenas mais um dia que a Comuna.

Ainda assim os erros cometidos pela Comuna, vieram a repetir-se mais tarde, principalmente no seio, ou por acção, daqueles para quem a experiência de enquadramento da luta revolucionária representa monolitismo, e ditadura. Mas disso falarei quando for altura. Hoje celebro a Grandiosa Comuna de Paris.
Não obstante os grandes feitos da Comuna, em termos de direitos laborais, como os representantes de fábricas eleitos, a igualdade salarial das mulheres, etc. a sua derrota trouxe uma das mais brutais repressões jámais vistas na história.


Mur des Fédérés-Execution des Fédérés

Em uma semana foram fuziladas entre 25 a 30 mil pessoas (havendo fontes que indicam que possam ter chegado às 100 mil), tendo muito outros milhares sido deportados para o ultramar francês. Destes milhares de mortos muitos foram mulheres e crianças. Após esta Carnificina o primeiro ministro Thiers garantia que o socialismo havia sido completamente liquidado. Este enorme crime que deveria ser chamado de ideologicídio, não teve qualquer consequência para os governantes de França e ainda hoje é largamente ignorado na aprendizagem da história quer neste país quer no estrangeiro. Não é de espantar, pois houve sempre mortos que para muitos contam muito pouco.


Communards fusilles 1891 (photo Adolphe Desederi)
(A Fonte de todas as fotos apresentadas é a Bibliteque National de Paris)

(Taking into account that a great number of those who visit my blog are not Portuguese speakers, and therefore unable to understand most of the topics I decided to write a text in a foreign language, may be English or French, in order to give them a synopse of the content in Portuguese.)

The subject of my choice for this entrance in my blog today, is the month of May. May has been a month full of revolutionary events throughout the history of mankind. But apart of May the first, only two events will have their memory referred here. One that recent May of 40 years old, and the other that magnificent revolution known as the Commune of Paris.
The Commune is an outstanding achievement in history, for the first time workers, man and women, took their destinies in their own hands. Production became a commun good and not a profitable trade element allowing the acomulation of capital in few hands.
These times, the Cherry times (Les temps des Cerises), are one of te most exciting and ideologic richest times in man's history. But the richesness of the Commune was also it's weakness. In the analyses after it's defeat, Marx enphasized the importance of the commune goal and strugle that could only be achieved trough an organized force - The Communist Party - This solution worked out in the Russian revolution, alltough no one expected at first that it would endure more than the Commune (Lenin celebrated the day that the Soviet power outcome the Commune for a day long).
However, the mistakes of the Commune were to be repeted mainly by those who saw in the Party a monolitic and dictatorial structure. But these are issues that I'll deal with later, as for the moment I'll celebrate the Commune of Paris).

Marx explaining the Commune (teatralisation of a text)

fonte:usthepeople

quinta-feira, 1 de maio de 2008

“Anda ver, Maio nasceu…”



O 1º de Maio que celebramos hoje, dia internacional do trabalhador, é expressão viva da luta de todos quantos alienam a sua força de trabalho, por forma a assegurar a sua subsistência.
A procura de condições dignas do ser humano, e a luta pela diminuição da exploração de um Capital, para quem o trabalho significava apenas um factor de produção, ao qual é exigida a maior produtividade ao mais baixo custo, conduziram a que desde meados do século XIX, vagas de revoltas e greves exigissem a diminuição das horas de trabalho, impondo o horário das oito horas, numa lógica de oito horas de trabalho, oito de sono, e oito de tempo pessoal.
Numa destas greves e revoltas, no dia Primeiro de Maio de 1886, em Chicago, EUA, a repressão procurando esmagar estas reivindicações, julgou, e condenou oito anarco-sindicalistas, tendo seis deles sido condenados à forca.


O movimento operário internacional, em virtude destas condenações adoptou então o 1.º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador, vendo confirmados anos depois em muitas partes do mundo consagrado este dia como tal.
Profundamente enraizado na Classe Operária, comungando dos mesmos princípios de Igualdade e Justiça para todos, o Movimento Comunista, adoptou este dia relembrando não só a conquista do direito às oito horas, mas renovando a luta por muitos outros direitos, como as férias pagas, a segurança na velhice, a assistência materno-parental para a infância, segurança no trabalho, e muitos outros que ao longo de cem anos vieram sendo conquistados pelos trabalhadores em todo o mundo.


fonte: marist academic

O fim da URSS, e do Bloco Socialista, vieram, de facto, significar o recuo de inúmeros direitos conquistados, numa ofensiva que chega a atingir hoje, em muitos países inclusive o nosso, o próprio horário das oitos horas, pedra basilar dos direitos laborais.


fonte: SNTC

Em Portugal, em grande medida pelo facto de muitos desses direitos terem sido adquiridos apenas no pós 25 de Abril, leva a que a consciência das lutas travadas pelos mesmos seja em grande medida incipiente, com a excepção das lutas na Marinha Grande, Barreiro ou dos trabalhadores do Couço, em que alguns destes direitos foram garantidos com inúmeros sacrifícios e sofrimentos gozando por isso mesmo de um apreço muito profundo por parte destas populações bem como das camadas mais politizadas da população.
O Governos provisórios de Vasco Gonçalves, garantiram à nossa população direitos sem os quais não nos passaria pela cabeça viver, a semana-inglesa, as férias pagas, o 13.º mês, a cobertura universal da saúde, etc.
Hoje a precarização dos vínculos laborais, a tentativa de estabelecer o arbítrio patronal no despedimento, de cercear os direitos sindicais, depois de ter já reduzido os tempos de dedicação de trabalho às comissões de trabalhadores, e de ataque aos horários de trabalho e competências dos trabalhadores, sob a capa de flexibilização, demonstram de uma forma clara a necessidade de renovar a luta pelos direitos dos trabalhadores, resgatando os perdidos, defendendo os existentes e conquistando novos direitos (e não privilégios, porque privilégios apenas os tem quem desfruta dos direitos de outrem), garantindo um futuro mais humano e digno às gerações futuras.


fonte: CGTP

Vamos ver Maio nascer, vamos ver a turba romper.
Viva o Dia Internacional dos Trabalhadores

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Abril: 34 x 25

foto dcursor


Celebrar o 25 de Abril hoje, 34 anos depois, não é apenas celebrar um levantamento militar que nos devolveu a Liberdade.

Celebrar o 25 de Abril hoje, é celebrar esses homens e mulheres que durante muitos anos resistiram ao fascismo, com o seu sacrifício, o sacrifício das suas famílias, da sua saúde e por vezes até da própria vida, para que viéssemos a ser livres.

É celebrar o povo, esse povo que na manhã desse dia saiu à rua, garantindo com a sua presença a vitória sobre o regime e a construção da sua liberdade.

É celebrar as alterações económicas e as conquistas que propiciaram a que nunca mais ninguém sofresse o trabalho de sol a sol, a que a saúde fosse um direito, a que o trabalho e habitação fossem direitos de toda a população, a que a retribuição pelo trabalho realizado não dependesse do arbítrio e preferência de ninguem.

É celebrar que nunca mais alguém seja punido e perseguido por coisas que hoje nos parecem insignificantes como catar a bolota caída no chão ou catar a lenha para prover às necessidades básicas da sua família.



Celebrar o 25 de Abril hoje, é celebrar que nunca mais ninguém seja perseguido por expressar as suas opiniões e lutar para por cobro ao regresso desses fenómenos.

É celebrar que nenhuma mulher seja exposta à profunda humilhação de não ser dona do seu próprio destino, dependendo da autorização de um marido para viajar, para dispor dos seus bens, como se se tratasse não de um ser humano mas da propriedade de alguém.

Celebrar o 25 de Abril hoje, é celebrar a constituição, essa constituição de 76 que inscreveu esses direitos como fundamento da nação, sendo garantia máxima dessa liberdade.

Celebrar o 25 de Abril hoje, é celebrar também o poder local democrático, esse poder local eleito pela primeira vez a 25 de Abril de 76, e que permitiu que esse poder, que é o mais próximo do cidadão, fosse escolhido por nós, nós como donos do nosso destino e responsáveis pelas escolhas que fazemos.



E porque celebrar é também festejar, aqui estamos hoje festejando esse dia, essa liberdade, esse direito de escolha, que graças a esses tantos que lutaram são hoje realidades que lutaremos por manter. 25 de Abril Sempre.


video de montenegro42

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Liberdade de Expressão





O Período de "Democracia", internacionalmente e socialmente aceite, em que vivemos tem destas. O Movimento de Utentes da Carris, que congrega várias comissões de utentes da cidade de Lisboa. Reuniram perto de 10000 assinaturas contra a restruturação da rede da Carris da Rede Sete; Pediram para ser recebidos pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicaçãoes, pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; pela Administração da Carris, e pelos Grupos Parlamentares na Assembleia da República. Foram recebidos pelo Ministério, pela Carris após uma longuíssima espera e pelos Grupos Parlamentares. A Presidência da Câmara Municipal de Lisboa ignorou olimpicamente o pedido desta Plataforma.

Ainda assim, e apesar do enorme interesse da Carris que reuniu com a Plataforma durante Quatro horas, nenhuma das suas reivindicações foi atendida. A Plataforma passou então a acções de rua, tendo parado vários autocarros e mesmo todo o trânsito em várias artérias da cidade, por vezes mobilizando mais de 200 pessoas, destes acontecimentos pouquíssimos jornais deram a notícia e nenhuma televisão sequer falou disso.

A Plataforma resolveu levar a cabo uma rábula em plena Rua Augusta às 15 horas, para que fosse impossível dizer que não tinha acontecido nada. Informou de antecedência os Jornais, as Rádios, as Televisões. Confirmou com estas a recepção da informação.O único jornal presente foi o Correio da Manhã. Desta cobertura nenhuma notícia saiu na comunicação social.

Rompendo o cerco que o poder nos move, escudando-se em critérios jornalísticos que ninguém conhece, e para que alguém saiba que se passou de facto um acto de incontestável importância, ficam aqui as fotos do evento. Mas para que se conheça a justeza das reivindicações fica também a transcrição do Caderno Reivindicativo do Movimento.

Não nos calarão:







Movimento de Utentes da Carris
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Há muito, enquanto grupos de utentes de várias zonas de Lisboa, vínhamos questionando a pertinência da exiguidade de horários nocturnos e dos percursos que serviam as nossas freguesias, bem como a completa ausência de cobertura de importantes zonas habitacionais da mesmas, porém, a situação criada com a implementação da primeira fase, mas principalmente da segunda fase, desta reestruturação tornou imperativa a tomada de posição e luta contra as medidas adoptadas.

A similitude de problemas e a identidade de objectos conduziram a que quatro destas Comissões, muito embora existam mais na Cidade de Lisboa, se tenham Associado no sentido de assim não só potenciar as nossas acções mas também criar sinergias nas nossas reivindicações por forma a vê-las satisfeitas.

Assim ao apresentar-mos perante os Grupos Parlamentares na Assembleia da República os motivos que nos levaram a enveredar por uma contestação activa, trazemos também ao conhecimento dos Deputados a existência destas estruturas que, não obstante informais, representam uma forma legitima de união das populações em torno da defesa do interesse comum de Alfama, Campolide, Estrada de Benfica e Olivais, fazendo referência também à do Bairro da Boavista, que não se encontrando connosco representa contudo um importante contributo em defesa dos transportes públicos nesta zona da Cidade.

Assim, embora com pontos comuns, cada Comissão contribuiu para a elaboração deste documento com as indicações que concernem a solução dos seus problemas específicos:

O Grupo de Utentes em Defesa dos Transportes em Alfama definiu, juntamente com a população do bairro as prioridades a levar em conta pelo Governo através do Ministério da tutela e pela Administração da Carris, em defesa das carreiras de autocarros que deverão continuar a servir a população do nosso Bairro.

Pretendendo:

• Que as carreiras 709 (ex. 9), e/ou 746 (ex. 46) continuem a ter o seu términos na estação de Santa Apolónia para que a população do Bairro de Alfama tenha a oferta de transporte público à superfície que deve ter de modo a não se ver privada de tão importante meio de locomoção, principalmente no trajecto Alfama centro da Cidade de Lisboa;
• Que passe a haver uma carreira de autocarros a passar pelo cemitério do Alto de São João, trajecto que a população do bairro se viu privada desde há muitos anos a esta parte, desde a eliminação do eléctrico n.º 24, sem existir da parte da tutela ou da administração da empresa que deveria fornecer o transporte público à superfície, a preocupação para colmatar esta lacuna na mobilidade da população do Bairro de Alfama. Sugerimos, por isso, a alteração da carreira n.º 35 que tendo o seu términos na Praça do Chile, poderá fazer o trajecto pela Avenida Afonso III, de modo a que possa levar as pessoas do Bairro de Alfama até ao cemitério do Alto de São João;
• Que, de todo, não seja substituído o transporte público á superfície pelo Metropolitano de Lisboa!

A Comissão de Utentes dos Transportes Públicos em Campolide define como prioridades a ser tidas em conta pela Administração da Carris e pelo Ministério das Obras Públicas transportes e Comunicações, que a tutela, as seguintes situações:

• Que a Carreira 713 retome o seu percurso anterior à reestruturação da Rede 7, segunda fase, servindo a Boavista, o Largo do Corpo Santo e Praça do Comércio, sendo estes destinos compatíveis com a necessidades da população, sem ligações directas, em contraposição a destinos como Estrela; Rato; Amoreiras; Marquês de Pombal, servidos respectivamente pelas Carreiras 27 (727); 58, 74; 48, 53, 23 (723) e 711, bem como a Carreira 2 que com um trajecto mais curto serve os pontos de partida e término da agora reestruturada 713.
• Que o Bairro da Bela Flor seja servido por uma Carreira de autocarros, quer por alteração do percurso da actual Carreira 702, quer por criação de nova carreira. Neste momento não existe qualquer serviço de transportes públicos dentro do Bairro.
• Que a carreira 2 (702) retome o seu percurso à Baixa. Na realidade a solução oferecida de transbordo para a carreira 711, além de implicar perdas de tempo (os horários são na generalidade desencontrados e muitas das vezes ao chegarem ao Marquês de Pombal o autocarro da carreira 702 parte antes que o 711 vindo da Praça do Comércio chegue à paragem), implica um elevado incómodo para uma população envelhecida, para quem o Metropolitano não é alternativa por implicar uma deslocação a pé entre paragens e um custo agravado de transporte. Além disso, ao contrário do que é afirmado a procura dentro dos períodos de ponta da manhã e da tarde não são desprezáveis.

A Comissão de utentes dos transportes públicos da Carris da Estrada de Benfica, definiram como prioridades a considerar pela tutela e pela Administração da Carris:
• Que seja retomada a carreira 63, suprimida aquando da primeira fase da reestruturação da Rede Sete, e que servia a deslocação de e para o Hospital de Santa Maria, bem como os estudantes das várias Universidades e Faculdades situadas nesse término, principalmente tendo em conta que a Estrada de Benfica é um eixo que serve a multi-modalidade aos serviços de Caminhos de Ferro.
• Que seja retomada a ligação directa à Baixa, através da Carreira 746, encurtada no seguimento desta segunda fase da Rede Sete, ao Marquês de Pombal, e que servia em grande medida os utentes na ligação aos serviços de Barcos e à própria CP em Santa Apolónia, forçando-os à utilização do Metropolitano, com superior gasto de tempo e dispêndio de dinheiro.
• Que fosse alargado o horário do percurso da carreira 58 (758) até às Portas de Benfica, até às 00,30. O actual horário de término em Sete Rios a partir das 21,45 é altamente prejudicial para toda a população residente no eixo da estrada de Benfica, que nem sequer se encontra servida pelo Metropolitano.

A Comissão de utentes dos Transportes da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, entendeu em conjunto com a população, definir como linhas de orientação prioritárias a ter em consideração pela Administração da Carris e pelo Ministérios da Obras públicas Transportes e Comunicações:

• A retoma dos serviços da carreira 105, eliminada na sequência da reestruturação Rede Sete, segunda fase, que permitia a ligação dos vários Bairros do Norte e Sul desta freguesia, que de outra forma se encontram praticamente isolados uns dos outros durante fins de semana e feriados.
• Fosse retomado o acesso ao bairro de Alvalade e ao Hospital Curry Cabral, inexistente desde a eliminação da carreira 21, na reestruturação da Rede Sete – primeira fase – obrigando os habitantes da freguesia a vários transbordos.
• Fossem analisados, com carácter de urgência, os horários nocturnos dentro das carreiras circulantes dentro desta freguesia, pela carência e impossibilidade real de deslocações após as 20,30.

Finalmente a Comissão de Utentes da Carris, do bairro da Boavista considera fundamental a retoma do percurso original da carreira 43, encurtada na sequência da reestruturação, e que obriga a população deste Bairro e dos Bairros do Zambujal e Buraca, a deslocarem-se a pé pelo interior do Monsanto, de forma a poder aceder ao transporte público.

Nós as Comissões de Utentes reunidas nesta Plataforma, relembramos ainda que uma eficiente e moderna rede de transportes públicos rodoviários, que sirva de facto as populações e que permita a transferência de utilizadores da viatura particular para o modo público tem, à partida, de garantir o transporte em tempo útil, com razoável conforto, e a um custo compatível com o nível de vida da população que se pretende servir, e consideramos que neste momento estas três vertentes essenciais não se encontram satisfeitas. Lembramos ainda que, todos os estudos efectuados nesta matéria demonstram que só uma oferta de qualidade e quantidade superior, e que isto representa um investimento necessário, podem no futuro garantir o sucesso do transporte público nas grandes cidades, como Lisboa, com os óbvios ganhos em Mobilidade, Satisfação, e qualidade de Vida e Ambiente.


Lisboa, 31 de Janeiro de 2008


A Plataforma de Comissões de Utentes em Defesa dos Transportes Públicos

domingo, 13 de abril de 2008

14 de Abril - Viva la República



Hoje dia 14 de Abril faz 77 da proclamação da IIª República Espanhola. Data de esperança e de projecto de futuro, 14 de Abril de 1931 tem de ser celebrado por todos aqueles que acreditam numa democracia profunda, participada, como início do fim do sistema de exploração do homem pelo homem.
Não se pense porém que a República é o fim de todas as lutas, representa apenas que nós o povo passamos da condição de subditos à condição de cidadãos, capazes de decidir quem comanda os destinos da nossa nação e que essa pessoa não seja mais de um primeiro entre iguais. Deixar de existir alguém investido de poder pela graça divina, mas sim alguém investido pelo povo soberano para presidir às decisões no melhor interesse das populações. A República nada mais é do que isso, o caminho, portanto para uma sociedade mais justa fica ainda por trilhar, e não podemos pensar que apenas por essa conquista a luta deixa de necessitar ser travada.
Defendi, defendo, e continuarei defendendo que Monarquia e Democracia são contradições em termos. A própria palavra Democracia, vem do grego governo do povo que se traduz na lingua latina por "Res Pública", porque quando à decisão do povo não pode haver lugar para o soberano.
A situação que a Espanha vive hoje, com a constituição de 78, é um mau remendo num corte com a legalidade republicana de 31, através do levantamento e guerra cívil levado a cabo por Franco em 36, e da sua imposição através das armas em 39. Nenhum referendo à constituição, como o levado a cabo em 78, poderia ter outro resultado, pelo que representava em por fim às facetas mais expúrias do Franquismo, mas não significava Democracia.
A legalidade, portanto desta Constituição e da fórmula Monárquica daí resultante, é mais do que duvidosa, e fossem os partidos espanhóis, com ênfase no PSOE, fieis aos seus princípios e seguramente a IIIª República seria já uma realidade. Porém a solução das contradições em que vive o Estado Espanhol, mostram a absoluta necessidade da República como forma de resolver os problemas das nacionalidades. Viva portanto a República Espanhola, que saúdo neste seu 77º aniversário.