sexta-feira, 31 de julho de 2026

O Capital quer as chuteiras (e o resto também)!

Teve o seu quê de ironia quando a UEFA reagiu, da forma como reagiu, aos planos do Presidente de FIFA de transformar o Mundial de Futebol numa empresa privada, com participações a vender a interessados privados, dos quais tomou logo a dianteira a entourage do Presidente dos EUA. Mas mais do que a reação da UEFA, os argumentos que utilizou contra o que chamou, e bem, de privatização do Futebol, foram estarrecedores. Se os tivesse utilizado em contexto laboral, a UEFA, as Federações que a compõem, e todos os seus dirigentes, estariam já classificados como perigosíssimos comunistas, tal a defesa do interesse público e a denúncia feita dos objectivos e efeitos nefastos desta privatização.
Ficou tudo a nu, qual balneário se tratasse, quando a UEFA disse que no momento em que existam participações nas mãos de privados, o espetáculo deixará de reflectir a realidade dentro de campo, mas passará a estar voltada para satisfazer os lucros destes investidores. Qualquer resultado, ou formato de jogo ou campeonato, que não concorram para aumentar os ganhos passam a ser contraproducentes, em detrimento da competição de do interesse que esta gera. Intervalos publicitários, variedades durante os jogos, enviesamento em favor de equipas mais valiosas em transmissões televisivas e bilhetes vendidos como se um leilão se tratasse. Ou seja quase tudo o que já se passou, e mal, na última Copa do Mundo, mas multiplicado por vários factores.
A UEFA afirmou, alto e bom som, que no dia em que privados detivessem parte ou totalidade da entidade responsável pelo Mundial, o futebol teria acabado, teria perdido a sua essência desportiva (que diga-se a bem da verdade já andava pelas ruas da amargura, quando os Clubes deixaram de ser agremiações desportivas e passaram a ser empresas e SAD’s e quiçá coisa pior, já nesta senda) e perderia definitivamente a ligação às massas, fundamental para a sua existência (imagine-se ao mundo do Futebol a falar de ligação às massas).
Só estes argumentos, cuja aplicabilidade à industria e serviços públicos é directa, basta colocar patronato e tirar o desportivas as sociedades anónimas, teriam bastado para que quem os proferiu tivesse sido assassinado, torturado, silenciado por diversas formas , inclusive a perseguição interna ao estilo Senador McCarthy. Mas afinal, embora os comunistas sejam sempre muito criticados e acusados de falsidades, eram todos verdadeiros e o Mundo do Futebol começou ele próprio a sentir isso na pele, tendo a UEFA dito o que disse, mas sendo já secundada pela CONCACAF e pela AFC.
Da maneira como a coisa vai, afinal estas associações eram perigosíssimos agentes do comunismo internacional e os vermelhos eram mais do que os das camisolas. É claro que assim não é, mas a verdade é que perante o perigo que as propostas do Sr. Infantino avançava as conclusões de a avaliação honesta só poderiam ser as mesmas. Por alguma coisa é!


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