sexta-feira, 17 de julho de 2026

A luta não para!

Amanhã é 18 de Julho. Há noventa anos atrás dava-se início a um dos mais funestos episódios da história da humanidade. Punha-se em marcha uma máquina bem oleada, pelo poder de financiamento do capital, contra a livre expressão dos direitos dos povos.
A República Espanhola não era um paraíso para os trabalhadores e ainda menos para a realização linguística e cultural das diferentes nações que compunham. Não era solução para a dominação colonial, que no caso espanhol ainda que muito abalado subsistia.
A República Espanhola não era nada disso, nem sequer era um Estado a caminho do socialismo. Mas era pelas suas características um Estado em que era possível conceber um futuro mais progressista e com expansão dos direitos dos trabalhadores e dos povos.
Foi para que não houvesse veleidade de pôr em causa o status quo, e que esse pôr em causa voltasse a crescer na França, na Alemanha e no próprio Reuni Unido, que os Governos e os "Empresários" lançaram mão do fascimo, o seu mais fiel cão de guarda para manter a ordem institucional vigente. Soltaram-no, como aliás se vê na recusa dos países ocidentais em ajudar militar e financeiramente a República, mas não levantando nenhuma restrição a que instituições bancárias privadas garantissem aos insurgentes acesso a empréstimos e a empresas bélicas para se fornecerem e abastecerem. A política da não intervenção ocidental, contra os trabalhadores e os povos de Espanha, não funcionava a nível das acções "privadas" que essas sim continuaram a politica intervencionista dos seus governantes, por outros fins - Não admira hoje tanto afã a socorrer a banca privada, apesar de todos os seus desmandos.
Então como agora, as acções de uns são consideradas desvios, as de outras por menores que sejam são apodadas de gravíssimos crimes merecedores dos mais implacaveis castigos.
Então como hoje o capital se socorre das suas feras, financia, difunde, e cria através do ensino e da informação as condições necessárias para que o fascismo, essa força que mantém o sistema económico capitalista a funcionar, criando sistemas de repressão do Estado contra aqueles que se insurgem, medre e vá tomando as rédeas do poder, sob capas de variadas nuances mas da mesma finalidade.
A Guerra Civil de Espanha, que não foi o começo, nem foi o fim desta Guerra que se trava entre os que pretendem manter a exploração das classes, directa ou através da divisão dos povos e a dispersão numa miriade de identidades em contenda, foi uma pequena amostra de até onde se permitem ir para atingir os seus fins, recorrendo à mentira, à calunia e por vezes manipulando boas intenções das populações, que perante o que lhes é apresentado como verdades insofismaveis, lhes facilitam a vida e até lhes garantem o apoio, contra tudo o que são os seus interesses.
Amanhã é 18 de Julho, não foi o princípio, nem é o fim, mas é um importante marco da luta, mesmo para os que acreditam que eleitoralmente é possível mudar o rumo de uma sociedade, um marco cuja memória é importante ressaltar, a história é importante reflectir e o caminho é importante retomar e prosseguir.

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