Mas como nem só de organizações vive o homem, muito boa gente por aí anda alardeando democracia e tudo fazendo para impor no dia à dia o seu contrário. São os fachos encapotados, ou simplesmente medrosos.
Vêm estas observações a propósito da atitude do Edil da Capital. Como primeiro acto, sabendo bem o que isso significa para os trabalhadores, agenda uma Reunião de Câmara para o dia da Greve. Quantas vezes Reuniões de Câmara foram já adiadas por motivos francamente menos impactantes, como entrevistas, presenças em eventos e outras situações quejandas? Mas não! Este Edil tinha de mostrar a sua vontade de “partir a espinha” aos sindicatos, qual Sr.ª Thatcher temporã, e obrigar a que tos trabalhadores trabalhassem, esvaziando assim a sua luta contra um Pacote Laboral, que ele tanto aprecia, mas os trabalhadores não, sufocando a voz e a vontade destes.
Segundo acto, que deveria ser o primeiro cronologicamente, não fora a gravidade do anterior se sobrepor. Os trabalhadores da Empresa de Gestão dos Equipamentos e Acção Cultural, por entenderem desvalorizadas a suas carreiras e remunerações , convocaram uma concentração à porta do Município. Não é a primeira vez que trabalhadores o fazem, porém foi uma estreia que o Autarca chamasse polícia em número suficiente para formar um cordão policial que, ou revelava que o Presidente Câmara se aterroriza com a presença de umas dezenas à porta, ou quer utilizando a força policial, de cujos efectivos tanto se queixa por escassos, como uma arma de intimidação sobre os manifestantes, mais do pacíficos.
Terceiro acto. Não satisfeito com todos as acções tendentes a sufocar e atentar contra a livre expressão dos direitos democráticos, vem seraficamemte falar sobre a defesa do património, a propósito de murais pintadas. Mas é só a este património que se refere. Um homem que permite a demolição de edificados de interesse, a destruição de árvores assinaláveis, vem falar de que património? Mas apenas daquele que restringe a mensagem artística e política que mais dificuldade tem em dar a conhecer as suas razões.
Ou seja o Edil da Capital é, de facto, contra o direito à manifestação, contra o direito à greve e contra a livre expressão, por muito que o negue e faça profissão de fé na democracia. Ora não é preciso que o declare, a prática o demonstra, como deveria ser o padrão de demonstração do Tribunal Constitucional. Em suma é um facho, que o nega com a veemência dos que não querem que perceba, não tem vergonha do que diz e faz, mas medo que se perceba o alcance do que diz e faz, seja por convicção ou por oportunismo. Necessita de um cordão policial ou de outros para o proteger. É o que se poderia apelidar de um fascista medroso.

Sem comentários:
Enviar um comentário