sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Facho medroso!

cartoon produzido com ferramenta de IA

A Constituição da República Portuguesa proíbe a existência de organizações que professem a ideologia fascista. Contudo nunca explica como identifica essa ideologia. Á luz dessa falta de definição partiu-se do princípio que se poderia aferir esse alinhamento a partir do Programa e Estatutos de uma qualquer organização candidata a constituir-se em Partido. Não posso fazer ideia se por negligência ou ingenuidade se pensou que tal documentação seria suficiente para ajuizar essa situação. Digo negligência, porque provavelmente muitos nunca pensaram que isso fosse possível – entre muitos outros que o faziam por interesse. E digo ingenuidade por me espantar que houvesse quem pensasse que uma tal organização iria plasmar nos seus documentos fundacionais semelhante afirmação. Perante a omissão e a divergência da prática o que esperavam que o Tribunal Constitucional fizesse? Dissesse para o líder: “O menino não deve mentir! Olhe que mentir é feio”? Bem sei que a observância do Tribunal obriga à verdade… mas que verdade se pode esperar por quem abertamente afronta a constituição?
Mas como nem só de organizações vive o homem, muito boa gente por aí anda alardeando democracia e tudo fazendo para impor no dia à dia o seu contrário. São os fachos encapotados, ou simplesmente medrosos.
Vêm estas observações a propósito da atitude do Edil da Capital. Como primeiro acto, sabendo bem o que isso significa para os trabalhadores, agenda uma Reunião de Câmara para o dia da Greve. Quantas vezes Reuniões de Câmara foram já adiadas por motivos francamente menos impactantes, como entrevistas, presenças em eventos e outras situações quejandas? Mas não! Este Edil tinha de mostrar a sua vontade de “partir a espinha” aos sindicatos, qual Sr.ª Thatcher temporã, e obrigar a que tos trabalhadores trabalhassem, esvaziando assim a sua luta contra um Pacote Laboral, que ele tanto aprecia, mas os trabalhadores não, sufocando a voz e a vontade destes.
Segundo acto, que deveria ser o primeiro cronologicamente, não fora a gravidade do anterior se sobrepor. Os trabalhadores da Empresa de Gestão dos Equipamentos e Acção Cultural, por entenderem desvalorizadas a suas carreiras e remunerações , convocaram uma concentração à porta do Município. Não é a primeira vez que trabalhadores o fazem, porém foi uma estreia que o Autarca chamasse polícia em número suficiente para formar um cordão policial que, ou revelava que o Presidente Câmara se aterroriza com a presença de umas dezenas à porta, ou quer utilizando a força policial, de cujos efectivos tanto se queixa por escassos, como uma arma de intimidação sobre os manifestantes, mais do pacíficos.
Terceiro acto. Não satisfeito com todos as acções tendentes a sufocar e atentar contra a livre expressão dos direitos democráticos, vem seraficamemte falar sobre a defesa do património, a propósito de murais pintadas. Mas é só a este património que se refere. Um homem que permite a demolição de edificados de interesse, a destruição de árvores assinaláveis, vem falar de que património? Mas apenas daquele que restringe a mensagem artística e política que mais dificuldade tem em dar a conhecer as suas razões.
Ou seja o Edil da Capital é, de facto, contra o direito à manifestação, contra o direito à greve e contra a livre expressão, por muito que o negue e faça profissão de fé na democracia. Ora não é preciso que o declare, a prática o demonstra, como deveria ser o padrão de demonstração do Tribunal Constitucional. Em suma é um facho, que o nega com a veemência dos que não querem que perceba, não tem vergonha do que diz e faz, mas medo que se perceba o alcance do que diz e faz, seja por convicção ou por oportunismo. Necessita de um cordão policial ou de outros para o proteger. É o que se poderia apelidar de um fascista medroso.

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