sábado, 18 de março de 2023

o Admirável Mundo Novo

Ontem as notícias brindaram-nos com o evento de espanto e maravilha da srª Von der Leyen ter noticiado à saída da Casa Branca, após reunião com o insigne Presidente Norte-americano, que a UE iria diversificar a importação de materiais e terras raras da Républica Popular da China.
Para tanto não falou com nenhum dirigente de nenhum país da UE, nem com o Presidente do Conselho Europeu. Ninguém da entidade a que é suposto fazer parte foi ouvida. Mas não faz mal! De facto nem era necessário, quem lhe diz o que deve ou não ser feito tinha acabado de ser ouvido e isso bastava para o anúncio. Se depois havia desconforto bem... isso passa! 
Ontem as notícias brindaram-nos com a espantosa maravilha de o Presidente da Républica Francesa ter ultrapassado a Assembleia Nacional para fazer passar o seu projecto de fazer avançar em 2 anos a idade de reforma. Mas para quê submeter o projecto aos representantes eleitos da população? Ainda para mais sendo claro que perderia a votação? Quando se pode impor a vontade de uma minoria reinante! Em França já alguém perdeu a cabeça por tentar fazer destas.... Monsieur Macron avez promis...
Hoje a imprensa brindou-nos com a frase altissonante da Sr.ª Lagarde. Que disse ela? Apelou a um controlo da acumulação de riqueza? Ao limite dos lucros a ser divididos entre os "investidores"? Não! Num rasgo que denuncia o que as elites governantes pensam dos governados: É necessário por termo às ajudas às famílias... Com a naturalidade de quem diz "Não têm pão? Comam brioches". A história repete-se como uma farsa, mas uma farsa repugnante porém não menos trágica. Que contas prestará quando os que condena à miséria lhas pedirem?
Por último a imprensa brindou-nos com a cereja no topo, a ordem de prisão do tribunal penal internacional TPI contra o Presidente da Federação Russa. Decerto não faltarão crimes pelos quais devesse ser preso, porém além de o TPI ter sistematicamente fechado os olhos a outros crimes, desde pessoas queimadas vivas (Odessa), diplomatas presos, dentro de um avião diplomático em trânsito, sem mandato de captura e extraditados, em flagrante violação da Convenção de Genebra (Alex Saab em Cabo-Verde) ataques contra populações civis (Diarbakir), invasão do Iraque, ou a Cisjordânia e Gaza, uns sob pretexto de que os países não reconhecem o TPI, caso dos EUA ou Israel, outros porque não sendo países não se podem queixar ao TPI, caso da Palestina, dos Curdos, ou das Repúblicas sessecionistas do Donetsk e Lugansk. Mas os dirigentes russos podem... Novidade: a Rússia não reconhece, tal como os EUA ou Israel, o TPI. Mas para quem manda neste mundo há uns que têm todos os direitos e os outros não. A justiça que o não é arrisca-se a rápidamente ser primeiro irrelevante e depois seguir o caminho que anteriormente conheceram quem tentou impôr a justiça de um só olho.
Os tempos que correm são maus, muito maus, tanto que deixam à mostra descaradamente o que tem sido a "democracia" que nos querem impingir como governo do povo e o quanto ela vale quando não se coloca ao serviço dos poderes.
"... Cuidado, que pode o povo querer um Mundo Novo a sério."

sábado, 3 de setembro de 2022

Ataque à Nação Cabo-verdiana!

O passado dia 31 de Agosto de 2022 passará forçosamente à história como o dia em que o governo da nação Cabo-verdiana perpetrou um ataque sem precedentes à história, à memória e às próprias fundações ideológicas do país.
Depois da abertura de um consulado na cidade de Dakhla, Saara ocidental, aquiescendo a soberania do Reino do Marrocos sobre o território saarauí, ficou totalmente contradicto o pensamento e escrita do pai da nossa independência.
Tal como Cabo Verde, tal como a Guiné-Bissau, também os povos das colónias espanholas do Saguia-al-hamra e Rio oro, desejavam e lutavam pela sua independência. Tendo-a proclamado a 27 de Fevereiro de 1976, não muito depois da nossa própria independência.
A Marcha Verde, promovida pelo Reino do Marrocos, mais não foi que a invasão, com traços de grande barbárie, de um território alheio, com a dominação do seu povo e sem a aceitação deste.
Até hoje, e o muro construído em mais de 1300Km, a repressão atroz, a perseguição civil e cultural, a tortura, as prisões e simulacros de julgamento, a expulsão de activistas – como Aminatu Haidar -  e para culminar o episódio sangrento da invasão do acampamento de Gdeim Izik, são mostras mais do que evidentes de como a se faz a dominação marroquina do Saara ocidental e que não podem deixar de fazer ressoar na nossa memória as palavras de Cabral: O domínio “só se pode manter com uma repressão permanente e organizada da vida cultural desse povo [o povo dominado], não podendo garantir definitivamente a sua implantação a não ser pela liquidação física de parte significativa da população dominada”.
É impensável que o Governo Cabo-verdiano que apesar de todos os pesares, se reclama herdeiro do Estado erigido sobre o trabalho, dedicação e luta de Amilcar Cabral e de todos aqueles que com o seu esforço e dedicação travaram a luta armada para que nos libertássemos do jugo do colonialismo e da dominação estrangeira venha hoje agraciar outros dominantes, sobre povos que inclusive em tempos consideramos irmãos de luta, impondo-lhes uma amarga servidão.
Todos os torrões destas ilhas teriam de ter urrado de vergonha ao ver um ministro dos negócios estrangeiros do nosso país afirmar, com dócil candura, como afirmou o Dr. Rui Figueiredo Soares que o plano de autonomia marroquino é um plano credível, quando foi este mesmo país que desrespeitou a sua própria assinatura no Plano de paz com a Frente Polisário, negociado sob a égide das Nações Unidas, firmado em 1992, e que garantia o acto de auto-determinação consagrado através de referendo à população do território.
O Reino de Marrocos o que fez foi mostrar que não é um Estado digno de confiança pelas suas acções e o Estado Cabo-verdiano, ombreando lado a lado com ele, só pode cobrir de vergonha todo o cidadão que respeita a sua palavra.
Não tenho a menor dúvida que o actual Governo Cabo-verdiano, desejando mostrar, mais uma vez, a sua dedicação aos interesses económicos não se envergonha de curvar a cerviz, e romper com os compromissos que advém da sua presença nas Nações Unidas. Fica apenas por ver o que se segue, a abertura de uma embaixada em Jerusalém? A declaração de aceitação da integração dos Montes Golã em Israel?
Com a aceitação da soberania marroquina sobre o Saara ocidental, o Governo do MPD, feriu os princípios nos quais assenta a Nação Cabo-verdiana. Que linda forma de entrarmos nas comemorações dos 100 anos do nascimento de Cabral e dos 50 anos do seu assassinato. Começámos seguramente pelo fim!

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Zero em História

Os dirigentes ocidentais declararam hoje que a Crimeia é Ucraniana. Os dirigentes ocidentais já não se lembram do que disseram os seus antecessores, a repeito do desrespeito aos cidadãos da Crimeia, quando em 1954 o dirigente Nikita Kruschev transferiu a Crimeia da RSFS da Russia para a RSS da Ucrania. Na altura foi dito que estes cidadão russos não tinham sido tidos nem achados na transferência da sua terra entre duas entidades diferentes.

Aquando do desmembramento da URSS, os habitantes da Crimeia manifestaram-se contra a sua integração na Ucrania, e foram necessários acordos de autonomia e ligação à Russia, para que estes aceitassem e mesmo assim mal este estatuto.
 
Para que não se diga que invento, deixo aqui a cópia na integra do parágrafo da Wikipédia dedicado a esta questão: "Após a Revolução Russa de 1917, a península tornou-se uma república autônoma dentro da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, parte da União Soviética, embora mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, tenha sido rebaixada para o Oblast da Crimeia.

Em 1954, o Oblast da Crimeia foi transferido para a República Socialista Soviética da Ucrânia, por Nikita Khrushchev, a fim de reforçar a "unidade entre russos e ucranianos" e a "grande e indissolúvel amizade" entre os dois povos.[1]" (perdoem o português do Brasil mas está escrito assim)

Os dirigentes ocidentais da actualidade não sabem História, não se compreende sequer como chegaram estas pessoas aos lugares que ocupam, pois que para um governante, para mais em matéria internacional, a História deveria ser uma cadeira obrigatória e o seu desconhecimento deveria implicar a reprovação no exercício da função.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Solidariedades

Já em 2021 o PCP realizava sessões de solidariedade com o povo ucraniano. Nesta altura os solidários de hoje estavam calados... Entende-se este povo podia ser perseguido. A solidariedade dos neo-solidários é só para fascistas da mesma igualha.
A solidariedade destes "democratas" não é para com o povo da Ucrânia, ou ter-se-iam indignado quando os principais partidos da RADA (parlamento ucraniano) foram ilegalizados e impedidos de participar em eleições, depois do Golpe de Maidan, ter-se-iam indignado quando os decretos proibiram a utilização da língua russa (lingua materna para pelo menos metade dos ucranianos), ter-se-iam indignado quando os opositores do poder fascista foram queimados vivos em Odessa, e ter-se-iam indignado pelos inúmeros crimes bárbaros cometidos contra as populações do Donbass. Nada disso aconteceu, mostrando claramente que a solidariedade desta gente é com os seguidores de Bandera, é para com o poder Nazi-fascista na Ucrânia e pelos acólitos no terreno de combate. Não para com o Povo Ucraniano.

domingo, 17 de julho de 2022

Os dedinhos do Newton

Do Newton mas não é deste.... 
O ensino da matemática no nosso país nunca foi o que se possa chamar de exemplar. Todos sabemos a quantidade de alunos que fica retido, a quantidade de alunos que foge de apostar nesta disciplina como centro para a sua vida académica e ainda a quantidade de alunos que "lutam" com a dita para acabarem os seus cursos.
Infelizmente parece que temos entre nós uma situação exemplar desta realidade e, para mal dos nossos pecados com um homónimo - quem sabe parente por linha travessa - do mais que famoso físico inglês de nome Isaac! Acontece que o nosso menos célebre Newton nacional, que vem carpindo há meses pelos fóruns e jornais, a inominável injustiça do seu correligionário ter ganho as eleições e não poder dirigir como lhe dá na real gana os destinos da capital, não percebe patavina de matemática.
Sem ser professor na matéria ou sequer explicador passarei a explicar com muita pedagogia: Caro Luís (é este o nome), o número de elementos que compõem a Câmara Municipal - Presidente e Vereadores - é de 17. Destes a lista do seu amigo elegeu 7, a lista do adversário dele outros 7, o PCP elegeu dois e o Bloco 1. Ora isto em qualquer aritmética não é exactamente ganhar. É, isso sim ter mais votos em relação aos outros, mas menos que todos os outros juntos.
Se não entende isto pegue nos seus dedinhos e faça em dois deles uma cruzinha azul, nos outros dois uma cruzinha vermelha, e no restante uma cruzinha verde. Se juntar a cruzinha verde com a vermelha as cruzinhas azuis ficam em minoria... Foi o que aconteceu com o seu amigo. Entendeu agora? Ou perfere as orelhas de burro? 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

welcome to Hotel Rwanda!

(imagem iNews)

A generosidade do Governo de Sua Majestade Britânica não conhece limites. Profundamente sensibilizado pela falta de meios dos refugiados para gozar umas férias e conhecer o mundo, o Governo de Johnson propôs-se proporcionar aos refugiados provenientes do Irão, Iraque, Afeganistão, Siria, Ieman e Albânia, uma excitante estadia num destino exótico - neste caso o Ruanda.
Não sei se Kigali é bonito nesta época do ano, mas desconfio que sem bilhete de regresso, os candidatos a refúgio no Reino Unido vão ter muito tempo para descobrir, simplesmente porque não vão poder ir para lado nenhum nem tampouco sair daí.
Com modos refinados está o actual governo de sua majestade a condenar os refugiados ao exílio, mas não todos os refugiados. Apenas aquelas cuja presença em solo britânico não se possa traduzir em valor político, todos os outros são considerados indesejáveis.
A hipocrisia de um Governo que noite e dia acusa outros de desrespeito pelos direitos humano, a falta de vergonha de quem permanentemente afirma que tudo faz para aliviar o sofrimento das vitimas da Guerra - aparentemente existem umas vitimas mais vitimas que as outras, ou se calhar são as guerras que são mais guerras do que as outras, só não são tão chocantes porque os inquéritos de opinião mostram que 44% da população apoia esta medida. E é este apoio que, em último caso, é profundamente chocante.
Os Valores, tão apregoados, de solidariedade, de tolerância cultural e linguística, de protecção aqueles que fogem, não são verdadeiros. Assim que se sentem incomodados por gente que tenha um aspecto diferente, fale diferente, ou reze diferente, 4 em cada 10 britânicos não se importam de mandar os estranhos para Kigali, para o inferno, ou para o raio que o parta, desde que não fiquem a poluir a sua sagrada terrinha. Tenho a impressão que quanto mais escura a pele mais longe será o exílio.
Nada de novo! Já assim tinha sido com uma série de gente, desde as margens do Shanon até ao Transvaal ou ao interior australiano. Que o digam irlandeses, boers, zulos, kikuío, aborigenes, maoris e tantos tantos outros - de que os chagos foram apenas as últimas vitimas. Degredados, exilados, guetizados, sem que tenha causado escândalo de maior, mesmo nos anos sessenta... Porque seria diferente hoje em dia? 
Sim o fascismo existe, e existe entranhado na forma como há povos que se arrogam o direito de olhar pra outros com sobranceria e ideia de superioridade.
Para bem dos ucranianos é bom que a guerra na sua terra dure pouco. Se durar muito, as sorrientes faces dos seus aliados que os recebem calorosos, pode rapidamente tornar-se um esgar de desprezo ou ódio, capaz de cogitar enviá-los, quem sabe para a lua.

sábado, 21 de maio de 2022

Se isto é em Kiev, não há vergonha!

A imagem que junto a este apontamento foi publicada no Diário de Notícias on-line. Digo-o primeiramente para que não me acusem de reproduzir fotos sem indicar a sua proveniência e segundamente porque o jornal não indica o local onde foi colhida, pese embora todas as que a acompanham indicarem que é Kiev, capital da Ucrânia.
Se é Kiev então a desvergonha total tomou conta do governo ucraniano e dos seus responsáveis.
O cartaz é uma celebração da Grande Guerra patriótica contra a Alemanha nazi em 1941-1945. Relembra esse facto, em russo, junta uma insígnia do exército soviético em forma de estrela vermelha com a foice e o martelo.
Tudo seria normal, dado estarmos no mês da vitória sobre o Nazi-fascismo. Porém há coisas que não caem bem:
 1- Os simbolos soviéticos foram proíbidos e banida a sua exibição pública na Ucrânia após o golpe de 2014 (conhecido como Maidan), sob pena de multa e até de prisão. Como pode um cartaz deste governo, que criou e mantém este estado de coisas exibir públicamente a Estrela Vermelha e a Foice e o Martelo, em manifesta contradição com a sua própria lei? A resposta é clara. Procura hipocritamente apropriar-se de uma data e simbolos gratos à população, procurando limpar-se da imagem que tem intrinsecamente colada a si de seguidores de Bandera, nazis-fascistas, que proibiram o partido comunista e outros partidos de esquerda, perseguindo, torturando e matando os seus militantes.
2- O cartaz em questão está escrito em russo. Como pode um cartaz disponibilizado publicamente pelo Governo Ucraniano estar escrito em russo, quando foi o Governo saído do golpe de 2014 (conhecido como Maidan) na sua primeira legislação a retirar o estatuto de oficial à Lingua russa, proibindo o seu ensino, e hoje a proibir o seu uso em livros, jornais, rádios, revistas, emissões de televisão, e criminalizar com recurso a multas e até prisão quem fale, ensine ou aprenda esta lingua? A resposta não é difícil. O Governo de Kiev procura afastar de si as acusações de xenofobia, de prosseguir uma política em tudo semelhante ao apartheid sul-africano e às políticas contra as populações árabes sob controlo de Israel.
3- Como pode o Governo da Ucrânia disponibilizar publicamente um cartaz a celebrar a vitória do Exército Vermelho sobre o Nazi-fascismo, quando a celebração do Dia da Vitória está oficialmente proibida pelo Governo deste mesmo país, estando igualmente proíbidas as exposições públicas da Bandeira da Vitória (da URSS), das Estrelas Vermelhas do exército soviético ou a fita negra e laranja (fita de São Jorge) que celebram a resistência e luta contra o invasor Nazi, sob o risco de imediata identificação, prisão e entrega à polícia política SBU? A resposta é fácil. Mostrar a sua declarada simpatia e até mesmo adesão ao Banderismo-Nazi-Fascismo cairia muito mal junto daqueles que no ocidente não conseguiram ver com clareza o que de facto representa o Governo da Ucrânia pós Maidan, mas que abominam as doutrinas Nazi-fascistas. É necessário que acreditem que é um governo democrático e que nunca fez nada do que na realidade fez.
É por isso que é de uma total falta de vergonha, de um total desrespeito pelas vitimas do nazi-fascismo, de um total insulto a todos os povos que lutaram para derrotar a barbárie Nazi, inclusive o Povo Ucraniano, aquilo que este Governo está a fazer utlizando os simbolos e a lingua que proibiu, para fingir celebrar uma vitória que não é sua e que não sente e que gostaria de poder reverter historicamente.
Não temos dúvidas ou ilusões sobre a natureza e interesses que serve o actual governo da Rússia. Não temos dúvidas ou ilusões que não se trata de um governo socialista, com a menor inclinação socialista, ou menor simpatia com a causa da libertação dos povos. Mas pelo menos não procurou activamente promover e celebrar a ideologia ou os principios do Nazi-fascismo.
Por isso e apesar desta agressão não ser do interesse dos povos, a falsidade e falta de vergonha de quem em Kiev se quer manter, enganando quem de boa vontade se sente tocado pelo sofrimento das populações, não deixaremos o passo livre ao Fascismo e ao Nazismo. NÃO PASSARÃO!