A solidariedade destes "democratas" não é para com o povo da Ucrânia, ou ter-se-iam indignado quando os principais partidos da RADA (parlamento ucraniano) foram ilegalizados e impedidos de participar em eleições, depois do Golpe de Maidan, ter-se-iam indignado quando os decretos proibiram a utilização da língua russa (lingua materna para pelo menos metade dos ucranianos), ter-se-iam indignado quando os opositores do poder fascista foram queimados vivos em Odessa, e ter-se-iam indignado pelos inúmeros crimes bárbaros cometidos contra as populações do Donbass. Nada disso aconteceu, mostrando claramente que a solidariedade desta gente é com os seguidores de Bandera, é para com o poder Nazi-fascista na Ucrânia e pelos acólitos no terreno de combate. Não para com o Povo Ucraniano.
sexta-feira, 29 de julho de 2022
Solidariedades
Já em 2021 o PCP realizava sessões de solidariedade com o povo ucraniano. Nesta altura os solidários de hoje estavam calados... Entende-se este povo podia ser perseguido. A solidariedade dos neo-solidários é só para fascistas da mesma igualha.
domingo, 17 de julho de 2022
Os dedinhos do Newton
O ensino da matemática no nosso país nunca foi o que se possa chamar de exemplar. Todos sabemos a quantidade de alunos que fica retido, a quantidade de alunos que foge de apostar nesta disciplina como centro para a sua vida académica e ainda a quantidade de alunos que "lutam" com a dita para acabarem os seus cursos.
Infelizmente parece que temos entre nós uma situação exemplar desta realidade e, para mal dos nossos pecados com um homónimo - quem sabe parente por linha travessa - do mais que famoso físico inglês de nome Isaac! Acontece que o nosso menos célebre Newton nacional, que vem carpindo há meses pelos fóruns e jornais, a inominável injustiça do seu correligionário ter ganho as eleições e não poder dirigir como lhe dá na real gana os destinos da capital, não percebe patavina de matemática.
Sem ser professor na matéria ou sequer explicador passarei a explicar com muita pedagogia: Caro Luís (é este o nome), o número de elementos que compõem a Câmara Municipal - Presidente e Vereadores - é de 17. Destes a lista do seu amigo elegeu 7, a lista do adversário dele outros 7, o PCP elegeu dois e o Bloco 1. Ora isto em qualquer aritmética não é exactamente ganhar. É, isso sim ter mais votos em relação aos outros, mas menos que todos os outros juntos.
Se não entende isto pegue nos seus dedinhos e faça em dois deles uma cruzinha azul, nos outros dois uma cruzinha vermelha, e no restante uma cruzinha verde. Se juntar a cruzinha verde com a vermelha as cruzinhas azuis ficam em minoria... Foi o que aconteceu com o seu amigo. Entendeu agora? Ou perfere as orelhas de burro?
quarta-feira, 15 de junho de 2022
welcome to Hotel Rwanda!
Não sei se Kigali é bonito nesta época do ano, mas desconfio que sem bilhete de regresso, os candidatos a refúgio no Reino Unido vão ter muito tempo para descobrir, simplesmente porque não vão poder ir para lado nenhum nem tampouco sair daí.
Com modos refinados está o actual governo de sua majestade a condenar os refugiados ao exílio, mas não todos os refugiados. Apenas aquelas cuja presença em solo britânico não se possa traduzir em valor político, todos os outros são considerados indesejáveis.
A hipocrisia de um Governo que noite e dia acusa outros de desrespeito pelos direitos humano, a falta de vergonha de quem permanentemente afirma que tudo faz para aliviar o sofrimento das vitimas da Guerra - aparentemente existem umas vitimas mais vitimas que as outras, ou se calhar são as guerras que são mais guerras do que as outras, só não são tão chocantes porque os inquéritos de opinião mostram que 44% da população apoia esta medida. E é este apoio que, em último caso, é profundamente chocante.
Os Valores, tão apregoados, de solidariedade, de tolerância cultural e linguística, de protecção aqueles que fogem, não são verdadeiros. Assim que se sentem incomodados por gente que tenha um aspecto diferente, fale diferente, ou reze diferente, 4 em cada 10 britânicos não se importam de mandar os estranhos para Kigali, para o inferno, ou para o raio que o parta, desde que não fiquem a poluir a sua sagrada terrinha. Tenho a impressão que quanto mais escura a pele mais longe será o exílio.
Nada de novo! Já assim tinha sido com uma série de gente, desde as margens do Shanon até ao Transvaal ou ao interior australiano. Que o digam irlandeses, boers, zulos, kikuío, aborigenes, maoris e tantos tantos outros - de que os chagos foram apenas as últimas vitimas. Degredados, exilados, guetizados, sem que tenha causado escândalo de maior, mesmo nos anos sessenta... Porque seria diferente hoje em dia?
Sim o fascismo existe, e existe entranhado na forma como há povos que se arrogam o direito de olhar pra outros com sobranceria e ideia de superioridade.
Para bem dos ucranianos é bom que a guerra na sua terra dure pouco. Se durar muito, as sorrientes faces dos seus aliados que os recebem calorosos, pode rapidamente tornar-se um esgar de desprezo ou ódio, capaz de cogitar enviá-los, quem sabe para a lua.
sábado, 21 de maio de 2022
Se isto é em Kiev, não há vergonha!
A imagem que junto a este apontamento foi publicada no Diário de Notícias on-line. Digo-o primeiramente para que não me acusem de reproduzir fotos sem indicar a sua proveniência e segundamente porque o jornal não indica o local onde foi colhida, pese embora todas as que a acompanham indicarem que é Kiev, capital da Ucrânia.
Se é Kiev então a desvergonha total tomou conta do governo ucraniano e dos seus responsáveis.
O cartaz é uma celebração da Grande Guerra patriótica contra a Alemanha nazi em 1941-1945. Relembra esse facto, em russo, junta uma insígnia do exército soviético em forma de estrela vermelha com a foice e o martelo.
Tudo seria normal, dado estarmos no mês da vitória sobre o Nazi-fascismo. Porém há coisas que não caem bem:
1- Os simbolos soviéticos foram proíbidos e banida a sua exibição pública na Ucrânia após o golpe de 2014 (conhecido como Maidan), sob pena de multa e até de prisão. Como pode um cartaz deste governo, que criou e mantém este estado de coisas exibir públicamente a Estrela Vermelha e a Foice e o Martelo, em manifesta contradição com a sua própria lei? A resposta é clara. Procura hipocritamente apropriar-se de uma data e simbolos gratos à população, procurando limpar-se da imagem que tem intrinsecamente colada a si de seguidores de Bandera, nazis-fascistas, que proibiram o partido comunista e outros partidos de esquerda, perseguindo, torturando e matando os seus militantes.
2- O cartaz em questão está escrito em russo. Como pode um cartaz disponibilizado publicamente pelo Governo Ucraniano estar escrito em russo, quando foi o Governo saído do golpe de 2014 (conhecido como Maidan) na sua primeira legislação a retirar o estatuto de oficial à Lingua russa, proibindo o seu ensino, e hoje a proibir o seu uso em livros, jornais, rádios, revistas, emissões de televisão, e criminalizar com recurso a multas e até prisão quem fale, ensine ou aprenda esta lingua? A resposta não é difícil. O Governo de Kiev procura afastar de si as acusações de xenofobia, de prosseguir uma política em tudo semelhante ao apartheid sul-africano e às políticas contra as populações árabes sob controlo de Israel.
3- Como pode o Governo da Ucrânia disponibilizar publicamente um cartaz a celebrar a vitória do Exército Vermelho sobre o Nazi-fascismo, quando a celebração do Dia da Vitória está oficialmente proibida pelo Governo deste mesmo país, estando igualmente proíbidas as exposições públicas da Bandeira da Vitória (da URSS), das Estrelas Vermelhas do exército soviético ou a fita negra e laranja (fita de São Jorge) que celebram a resistência e luta contra o invasor Nazi, sob o risco de imediata identificação, prisão e entrega à polícia política SBU? A resposta é fácil. Mostrar a sua declarada simpatia e até mesmo adesão ao Banderismo-Nazi-Fascismo cairia muito mal junto daqueles que no ocidente não conseguiram ver com clareza o que de facto representa o Governo da Ucrânia pós Maidan, mas que abominam as doutrinas Nazi-fascistas. É necessário que acreditem que é um governo democrático e que nunca fez nada do que na realidade fez.
É por isso que é de uma total falta de vergonha, de um total desrespeito pelas vitimas do nazi-fascismo, de um total insulto a todos os povos que lutaram para derrotar a barbárie Nazi, inclusive o Povo Ucraniano, aquilo que este Governo está a fazer utlizando os simbolos e a lingua que proibiu, para fingir celebrar uma vitória que não é sua e que não sente e que gostaria de poder reverter historicamente.
Não temos dúvidas ou ilusões sobre a natureza e interesses que serve o actual governo da Rússia. Não temos dúvidas ou ilusões que não se trata de um governo socialista, com a menor inclinação socialista, ou menor simpatia com a causa da libertação dos povos. Mas pelo menos não procurou activamente promover e celebrar a ideologia ou os principios do Nazi-fascismo.
Por isso e apesar desta agressão não ser do interesse dos povos, a falsidade e falta de vergonha de quem em Kiev se quer manter, enganando quem de boa vontade se sente tocado pelo sofrimento das populações, não deixaremos o passo livre ao Fascismo e ao Nazismo. NÃO PASSARÃO!
sábado, 14 de maio de 2022
Aqui não há flores
(Este texto foi escrito para o 8 de Março, infelizmente não foi possível publicar na altura, hoje com o assassinato da Jornalista Palestiniana Sheeran Abu Aqleh achei adequado, por ser mulher, por ser uma lutadora pelo conhecimento da luta do seu povo, mas também pelo sucedido no seu funeral. Se tivesse sido uma actuação russa na Ucrânia, mesmo que não tivesse tido um décimo desta violência, já teria sido notícia da abertura em todos os telejornais por esse mundo fora. Assim como é na Palestina e perpetrada pelo ocupante israelita, provavelmente com sorte fará um meio minuto lá para o meio tempo.)
https://twitter.com/i/status/1525071164590129154
Há 100 anos que se celebra o dia 8 de Março, enquanto dia internacional da Mulher trabalhadora, que vulgarmente dito dia internacional da Mulher.
Quando Foi instituido, muito por força da acção de Clara Zetkin, este dia pretendia celebrar a luta e memória das trabalhadoras que haviam visto ceifar a suas vidas sob condições de trabalho desumanas em Nova Iorque, e as greves de trabalhadoras que se seguiram nos EUA com especial ênfase em Chicago. Com o tempo, e com o esbroar que as sociedades capitalistas tentaram impor ao significado deste dia, o dia internacional da Mulher, tornou-se uma coisa meio amorfa, em que se faz uma lembrançazinha das condições de desigualdade, sem aprofundar. Falam de questões como quotas de participação na política sem resolver questões sociais de fundo que são o que realmente impede essa igualdade, e especialmente se oferecem umas florzinhas, como se isso fosse mudar alguma coisa e alterar a condição de vida e realização pessoal e profissional das nossas compatriotas e de mulher no mundo.
Portanto aqui não haverá flores, nem quotas, nem lembrar esta ou aquela excepção de mulher de sucesso. Só haverá o recordar de rostos e nomes de mulheres que lutaram conscientes que a sua luta em nada difere da dos homens no objectivo da libertação da humanidade em relação às condições de opressão da sua existência. Sim falo das condições sociais e económicas, porque ao contrário do que alardeiam alguns, ninguém é livre de barriga vazia, doente, ou sem descanso merecido. Depois falo da liberdade de intervir, porque se a mulher pode subir à guilhotina também pode subir à tribuna. Por último porque enquanto não pudermos ser todos livres enquanto humanidade, ninguém será verdadeiramente livre.
Há 100 anos que se celebra o dia 8 de Março, enquanto dia internacional da Mulher trabalhadora, que vulgarmente dito dia internacional da Mulher.
Quando Foi instituido, muito por força da acção de Clara Zetkin, este dia pretendia celebrar a luta e memória das trabalhadoras que haviam visto ceifar a suas vidas sob condições de trabalho desumanas em Nova Iorque, e as greves de trabalhadoras que se seguiram nos EUA com especial ênfase em Chicago. Com o tempo, e com o esbroar que as sociedades capitalistas tentaram impor ao significado deste dia, o dia internacional da Mulher, tornou-se uma coisa meio amorfa, em que se faz uma lembrançazinha das condições de desigualdade, sem aprofundar. Falam de questões como quotas de participação na política sem resolver questões sociais de fundo que são o que realmente impede essa igualdade, e especialmente se oferecem umas florzinhas, como se isso fosse mudar alguma coisa e alterar a condição de vida e realização pessoal e profissional das nossas compatriotas e de mulher no mundo.
Portanto aqui não haverá flores, nem quotas, nem lembrar esta ou aquela excepção de mulher de sucesso. Só haverá o recordar de rostos e nomes de mulheres que lutaram conscientes que a sua luta em nada difere da dos homens no objectivo da libertação da humanidade em relação às condições de opressão da sua existência. Sim falo das condições sociais e económicas, porque ao contrário do que alardeiam alguns, ninguém é livre de barriga vazia, doente, ou sem descanso merecido. Depois falo da liberdade de intervir, porque se a mulher pode subir à guilhotina também pode subir à tribuna. Por último porque enquanto não pudermos ser todos livres enquanto humanidade, ninguém será verdadeiramente livre.
segunda-feira, 9 de maio de 2022
Contra a mentira!
Hoje é o dia da Vitória. Faz anos hoje que a Bandeira soviética flutuou sobre a ruínas do Reichstag e ficou completa a debacle do Nazi-fascismo. Por mais voltas que queiram dar ao texto as memórias e os simbolos perduram nas histórias, nas mentes, nas lembranças, nas fotos, no sofrimento de muitos povos expostos à mais sanguinária ideologia alicerçada na ideia que existem homens e raças superiores, destinadas a ser senhores, e outras destinadas à escravatura ou à pura e simples destruição física e cultural.
Igual à bandeira vermelha a fita negra e laranja (fita de São Jorge) simbolo de resistência nos países soviéticos sob ocupação hitelariana, e que coloco na foto, foi celebrada e glorificada como sinal do triunfo dos povos sobre o nazi-fascismo.
Li que hoje na Cidade de Mariupol, pela primeira vez desde 2014, foi possível desfraldar esta fita e se celebrou também pela primeira vez desde essa data a capitulação das forças do Eixo na Europa.
O Governo Ucraniano fala hoje de fascismo russo e afirma que Putin e a Russia se tentam apropriar do Dia da Vitória. Em relação a Putin pode até ser verdade, mas não deixa de ser também verdade que se ele usa essa arma é porque os Governos Ucranianos desde o golpe de Maidan não só proibiram a celebração do dia da Vitória, como proibiram e criminalizaram os simbolos desta vitória, como a bandeira soviética e a fita de S. Jorge. Mas não fizeram só isso. Quando o Comité de Direitos Humanos da ONU propôs a condenação da glorificação do Nazismo e do Fascismo, o Governo Ucraniano votou contra.
Com estas acções o Governo Ucraniano que hoje chama os outros de fascistas foi, na realidade, o primeiro a vestir a pele do lobo.
A intervenção russa não se pode justificar, porque ainda que tenha sido grande o sofrimento das populações do Donbass, o sofrimento dos comunistas ucranianos, dos sindicalistas e outros militantes de esquerda, nunca os comunistas defenderam a intervenção de um país estrangeiro, defendendo que cabe ao povo desse país lutar internamente contra o regime levando-o a uma implacável derrota. Donde não seria intervindo militarmente que eficazmente se defenderia no futuro o direito dos povos da Ucrânia à paz, à liberdade e à democracia. Mas também não podem os comunistas deixar de sentir uma profunda repulsa pelas autoridades golpistas deste país, pelas suas políticas e especialmente por prosseguirem dentro e fora da Ucrânia as suas tentativas de reverter a história e garantir ao nazi-fascismo uma aceitação social e capacidade de reorganização para perseguir e eliminar, num futuro não tão distante, aqueles que se oponham aos seus objectivos de supermacia racial, cultural e linguística, que também serve bem ao capitalismo que os protegeu, nutriu, e acalentou, desde o fim da guerra com vista ao futuro.
Hoje não é possível ver celebrações da vitória sobre o nazismo em Kiev, em Lvov, em Kharcov. Não é possível aí desfraldar a bandeira vermelha, da foice e martelo com a estrela vermelha de cinco pontas, não é possível desfraldar a fita laranja e preta, nem usar as palavras que ilustram a foto e que garantem que ninguém ficará no esquecimento. Mas é possível gritar as palavras de Stepan Bandera, aliado de Hitler e hoje herói nacional proclamado pelo presente governo, desfraldar suásticas, sois negros das SS entre outra parafernália nazi.
Esperemos que a Paz chegue, mas que com ela venha também a erradicação desse flagelo da humanidade que é o nazi-fascismo.
Os que caíram não estão nem serão esquecidos. Não terão caído em vão a caminho de Berlim. Não terão caído em vão na libertação dos campos de extermínio, não terão caído em vão no cerco ao bunker onde se escondiam Hitler, Goebels e outros dos piores elementos do regime, nem terão caído em vão quando justiçaram Bandera em Frankfurt onde se havia refugiado.
Fascismo... Nunca mais!
segunda-feira, 7 de março de 2022
A mentira como arma
Li hoje um artigo no Jornal Observador que tecia as maiores aleivosias sobre os comunistas. Um artigo de um certo Luís Rosa que além de procurar semear o ódio, manipula factos por forma a obter os seus ensejos.
Não tenho pejo em dizer que detesto semelhante criatura, e muito antes deste artigo. Detesto pelo que me fez anos atrás ao descontextualizar palavras minhas de forma a parecer que eu estava fazendo uma acusação, que nem sequer poderia fazer por não ter provas, e que me valeu um processo que acabou num acordo, mas que me foi penoso.
Tal é a noção de deontologia do jornalista que agora fala de deontologia como se a deturpação que apresenta como correcta de facto o fosse.
Vamos por partes.
1- A isenção de um jornalista é uma mentira. Todos os jornalistas têm as suas opiniões e opções políticas, pretender que existe uma higienização é falso e, portanto o facto de um jornalista concorrer numa lista partidária não devia causar escândalo, o que o devia causar é o jornalista torcer diariamente factos para servir a determinados interesses sob uma suposta capa de imparcialidade.
2- Não foram aqueles que morreram, os que sofreram turturas, os que foram humilhados, aqueles que foram presos. Não fosse o Tarrafal, Peniche, Caxias, Aljube, Angra, S. Pedro e S. Paulo, entre outras, e os comunistas - a maioria dos que por aí passaram - Não fora as lutas que travaram, aquilo que sofreram, a resistência que tiveram, nem o Observador existia e provavelmente nem este jornalista o seria. É fácil democratar quando alguém construiu a democracia (muito imperfeita) onde ele vive sem ter mexido para isso sequer o dedo do pé direito.
3- Por cada crime que ele indica, esquece, por faz por isso todos os crimes cometidos contra os comunistas, e poderia começar pelos da Comuna de Paris em 1871. Quer contar mortos? Pois que os conte bem certos e que nenhum deles falte. conte na Indonésia, conte na Coreia do Sul, conte por toda a América Latina, conte-os na Guerra cívil de Espanha (anda hoje em plena "democracia" o segundo país com mais valas comuns do mundo, apenas ultrapassado pelo Cambodja e aí um governo intutulado de "vermelho" era abertamente apoiado pelos EUA, não se esqueça), conte-os na Africa do sul, no Saara ocidental, conte-os na Palestina, não deixe de os contar em todos os governos cujos governos, até os eleitos, que não agradavam ao capital, foram derrubados, e portanto até não se esqueça da Ucrânia de que hoje hipocritamente figem carpir as perdas.
Quisesse o capital que estes vivessem em PAZ e jamais teria financiado e planeado estas guerras.
4- Fechar os olhos e fingir desconhecer toda a história que aqui conduziu é apenas mais um acto da odiosa mentira com que se procuram ocultar os actos dos que na total indiferença perante as perdas, usam mortos como arma de arremesso sobre quem nada tem a ver. Não se pode andar para a frente sem olhar para trás, e portanto o jornalista em causa sabe, sabe poque não é ignorante, o que Bandera significa, o que Svoboda significa, o que Sector Direito significa, e não desconhece, porque contrariamente à informação que não dá conhece todas as acções e crimes cometidos e as mortes que também têm de ser contadas.
6- Sim os comunistas têm uma superioridade moral, aquela de quem diz hoje aquilo que dizia há dez, quinze trinta, cinquenta e mais anos pela PAZ e que os que defendiam uma lógica de confronto e guerra, calavam bem cumplices com gente menos que recomendável mas apresentada por certa comunicação social como defensores da liberdade. Sim eu não me esqueci do Chade, não me esqueci da Sadat, e não me esqueço da Colômbia, senhor jornalista. Não me esqueço do golpe na Bolivia perante uma eleições taxadas de fraudolentas pelo ocidente e que se provou não o serem, perante gente que atacou, prendeu e torturou gente inocente perante o silêncio mais do que cumplice de prezados jornalistas como o presente.
Têm os comunistas a superioridade moral, de quem procurou sempre estar com as populações, lutando contra a barbárie fascista, contra a barbárie nazi, contra a barbárie racista, contra a exploração monopolista e deu por isso a sua vida e o melhor dos seus dias. Tão mais fácil teria sido ir con a onda, mas aos comunistas não é o fácil que os guia.
7- Portanto antes de abrir a boca para falar dos comunistas em geral e dos portugueses em particular, pense naquilo que lhes deve. E ser tão desorelhado que pense que nada lhes deve, olhe para as colónias que não seriam independentes sem o esforço dos comunistas, olhe para os cuidados públicos de saúde que não usufruia sem o esforço dos comunistas, pense em coisas tão simples e básicas como o subsídio de natal, as férias pagas, o próprio fim de semana de goza ou o mero passe social, e, se for verdadeiramente honesto, veja se consegue negar que aos comunistas o deve.
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